Autor: Jonatas Luiz da silva sales Ceo da Solution Governança, Diretor da ACIJIP
associação comercial e industrial de ji paraná, e membro da ACB.
O pequeno empreendedor brasileiro vive dentro de uma engrenagem que, ao invés de
impulsioná-lo, parece determinada a desgastá-lo todos os dias. Ele é o que abre o
comércio da cidade antes do sol nascer, é quem sustenta o próprio negócio com coragem,
é quem cria emprego onde ninguém mais cria, e é quem mantém ativo o ciclo econômico
dos municípios menores, das periferias e de todo o interior do país. É o verdadeiro
“rinquião” do Brasil empresa — aquele que segura o país no braço quando o Estado não
dá conta.
Esse empreendedor nunca recebeu facilidade. Sempre trabalhou no limite, fazendo
malabarismo entre impostos altos, burocracia excessiva, logística desfavorável, crédito
caro e a eterna necessidade de reinventar o negócio para sobreviver. Mesmo assim,
permaneceu firme. Não por proteção, mas por necessidade. Não por incentivo, mas por
resistência.
A reforma tributária, porém, altera a dinâmica de sobrevivência desse pequeno
empresário de forma profunda. Ela cria uma pressão silenciosa, que não aparece nos
discursos oficiais, mas que explode no caixa diário de quem presta serviço, vende, entrega
e mantém a economia real viva. Ao retirar mecanismos que compensavam custos
estruturais — diretos e indiretos —, a reforma transforma a operação cotidiana em algo
ainda mais caro, mais arriscado e menos previsível.
O prestador de serviços, que já luta para equilibrar fluxo de caixa, enfrenta agora aumento
de carga indireta sobre seus insumos, deslocamentos, manutenção, contratos e reposições.
O pequeno comerciante, que funcionava com margens apertadas, passa a operar em
margem negativa sem perceber. E quando percebe, já está com dívidas acumuladas,
repasses impossíveis e um cenário que não fecha na ponta do lápis.
O efeito não é perceptível em grandes indicadores macroeconômicos, mas é devastador
no cotidiano: menos emissão de nota, menos formalização, menos contratação, mais
informalidade e mais insegurança. O empreendedor não fecha porque quer. Fecha porque
não dá mais. E quando ele fecha, não fecha só uma empresa — fecha um ponto de
circulação de renda, fecha oportunidades, fecha o dinamismo local.
O risco silencioso que o país ignora é simples: quando o pequeno empreendedor não
consegue mais operar, a cidade encolhe. A escola perde alunos. A mercearia perde
movimento. A farmácia vende menos. O mototáxi roda menos. Tudo está encaixado. E
tudo desaba quando a base não aguenta.
Enquanto isso, o país segue acreditando que a padronização tributária é solução universal,
ignorando que a economia real é feita por quem não tem lobby, por quem não está nas
capitais, por quem não tem escritório em Brasília. A economia real é feita pelo pequeno,
pelo médio, pelo que acorda cedo, pelo que paga imposto antes de pagar a si mesmo, e
pelo que carrega — sozinho — o que deveria ser responsabilidade compartilhada.
Esses “rincões” são a espinha dorsal do Brasil. Quando eles perdem competitividade, o
país perde musculatura. Quando eles não conseguem mais sustentar seus negócios, o
território perde vida. E quando o território perde vida, perde presença humana, perde
circulação de renda e perde força econômica.
O alerta é claro: se o país continuar elevando custos, tirando compensações e
ignorando desigualdades estruturais, não haverá fluxo tributário que se sustente.
Porque sem o pequeno empreendedor, sem o prestador de serviços, sem o comerciante do
bairro e sem o empresário do interior, o Brasil simplesmente não funciona.
Os “rincões” sustentam o país. E o país precisa decidir se continuará sustentando quem
sustenta ele — ou se continuará, silenciosamente, empurrando-os para o fechamento
inevitável.
Autor: Jonatas Luiz da silva sales Ceo da Solution Governança, Diretor da ACIJIP
associação comercial e industrial de ji paraná, e membro da ACB.
Autor: Jonatas Luiz da silva sales Ceo da Solution Governança, Diretor da ACIJIP
associação comercial e industrial de ji paraná, e membro da ACB.


