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Um clipping sobre as iniciativas da ACBrasil e temas relevantes para a governança corporativa
IA das Sombras: o que significa e por que conselheiros precisam conhecer esse fenômeno
Ivan Cruz e Lia PullenParente, do Comitê de Inovação e Inteligência Artificial
O avanço e democratização da Inteligência Artificial Generativa trouxe um fenômeno silencioso para dentro das organizações, conhecido como IA das Sombras. Diferente de outras ondas tecnológicas, esta não depende de grandes orçamentos ou aprovações formais da área de TI. Ela acontece na ponta, quando um colaborador utiliza ferramentas públicas para resumir atas de reuniões, analisar planilhas financeiras ou redigir e-mails estratégicos sem as devidas salvaguardas corporativas.
Para o Conselho de Administração, o tema não é uma questão de tecnologia, mas de responsabilidade fiduciária e continuidade do negócio.
Por que a IA das Sombras acontece?
É preciso compreender que a IA das Sombras não nasce de uma má intenção dos colaboradores. Ela ocorre por um descompasso estratégico e operacional. O profissional moderno sofre uma pressão crescente por resultados. Ao descobrir que uma ferramenta de IA pode realizar em minutos uma tarefa que levaria horas, ele a adota imediatamente para ganhar eficiência.
Como os processos de aprovação de novas tecnologias nas empresas costumam ser lentos, o colaborador busca a solução por conta própria no mercado, aproveitando o acesso gratuito e facilitado a essas plataformas diretamente de seu navegador.
O risco invisível ao patrimônio imaterial
O perigo real não é a tecnologia em si, mas a exposição de ativos críticos. Ao inserir dados sensíveis em modelos públicos, a empresa pode estar alimentando algoritmos de terceiros com seus segredos comerciais. O que hoje parece um ganho de produtividade pode se tornar a perda de uma vantagem competitiva ou uma violação grave da LGPD amanhã.
Além do vazamento de dados, existe o desafio da alucinação algorítmica e da desinformação. Decisões tomadas com base em dados processados por ferramentas não homologadas carecem de trilha de auditoria, comprometendo a integridade da informação que sustenta a estratégia da companhia.
A ilusão da proibição
Diante desse cenário, a reação instintiva de muitos gestores é a proibição. No entanto, em um mercado hipercompetitivo, banir a IA é decretar a obsolescência operacional. A proibição total apenas empurra o uso para a clandestinidade, aumentando o risco de vazamentos sem colher os benefícios da inovação.
O caminho seguro não é o bloqueio, mas a governança. O papel do Conselho é orientar a organização na migração da IA das Sombras para a IA Responsável e Governada, exigindo que a liderança executiva ofereça alternativas seguras e diretrizes claras.
O checklist de governança para conselheiros
Para exercer sua função de governança de forma eficaz, o Conselheiro deve questionar a diretoria executiva sobre quatro pontos fundamentais:
- Temos um mapeamento de quais ferramentas de IA estão sendo utilizadas atualmente?
- Existe uma política clara que diferencie o que pode ser processado em ambientes públicos e privados?
- Nossas equipes estão sendo treinadas sobre os riscos de segurança e proteção de dados corporativos?
- Estamos alocando orçamento para soluções de IA corporativas que protejam nosso capital intelectual com as devidas salvaguardas ?
Conclusão
A IA das Sombras é um sintoma do descompasso entre as velocidades das mudanças tecnológicas e da capacidade das organizações de se adaptarem e se reinventarem, às vezes de formas radicais. Cabe ao Conselho garantir que esse processo não comprometa a segurança jurídica e a reputação da marca, por um lado, e assegure a sustentabilidade do negócio, por outro. A governança de IA será, em breve, tão vital quanto a governança financeira. Antecipar-se a esse movimento não é apenas uma medida defensiva, é um diferencial estratégico que separa as empresas resilientes daquelas que ficaram expostas na sombra.
Opinião
Reuniões de Conselho eficazes
José Lima Neto, vice-presidente do CA da ACBrasil
Existem várias formas de avaliar uma reunião. A mais simples, muitas vezes equivocada: “Foi ótima, porque aprovei tudo que eu queria”. Pode ter sido perdida a oportunidade de decisões melhores para a companhia.
Alguns fatores contribuem para uma boa reunião: composição do conselho, objetividade e leitura prévia do material são exemplos. Mas no fim das contas, a verdadeira eficácia deve ser mensurada pelo atingimento dos objetivos.
Entre outros aspectos, podemos utilizar como referência os objetivos estabelecidos por Sydney Finkelstein e Ann C. Mooney:
1) Evitar conflitos destrutivos
Significa garantir que as discordâncias não se tornem explosões emocionais. É fundamental criar um ambiente onde todos se sintam à vontade para expor suas opiniões. Comunicar-se de forma clara e respeitosa ajuda a evitar mal-entendidos e a promover um clima colaborativo. Assim, a reunião pode se tornar um espaço de aprendizado e crescimento.
2) Envolver-se em conflitos construtivos
Conflitos podem ser positivos. Podem mostrar um outro ângulo do problema, alternativas de solução, consequências não antecipadas etc.; melhorando a qualidade da solução aprovada. O desafio está na forma como essas discussões são conduzidas: elas devem ser direcionadas para a resolução do problema.
Incentivar a troca de ideias e a diversidade de opiniões pode não apenas enriquecer o debate, mas também fortalecer o compromisso dos conselheiros com as decisões tomadas. Não haver divergências pode significar pobreza nos debates.
3) Trabalhar em equipe
Trabalhar em equipe significa unir forças em prol de um objetivo comum. Quando cada membro traz suas diferentes habilidades e experiências para a mesa, o resultado tende a ser melhor. Esta é a essência da esperada superioridade das decisões em equipe.
4) Atuar no nível apropriado de envolvimento estratégico
Significa que os conselheiros devem compreender suas responsabilidades e o papel que desempenha nas discussões e nas decisões, e ter clareza do papel dos demais atores da governança, em particular da diretoria executiva. Um bom conselho deve sempre saber quando mergulhar de cabeça nos detalhes e quando olhar para o panorama geral.
5) Abordar as decisões de forma abrangente
Significa considerar todas as opções, ouvir atentamente as diferentes perspectivas e avaliar os impactos de cada escolha. Uma análise detalhada e cuidadosa não apenas minimiza a possibilidade de surpresas desagradáveis, mas também garante que o conselho tome decisões informadas e estratégicas.
Concluindo, reuniões, assim como outras atividades, podem ser aperfeiçoadas avaliando o desempenho passado. Portanto, após as reuniões, é importante o conselho refletir sobre sua eficácia. O atingimento dos objetivos citados deve fazer parte do roteiro de questões avaliadas.
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Pílulas tributárias
Mariana DiNardo, do Comitê Jurídico da ACBrasil
Aluguel deixa de ser apenas renda
Antes da Reforma Tributária, a tributação recaía basicamente sobre o Imposto de Renda (IR).
Agora, as receitas passam a integrar a base dos novos tributos (o IBS e a CBS), entrando na lógica do IVA-Dual.
Pessoa física que loca imóveis pode virar contribuinte do IVA
Isso ocorre quando, no ano anterior, houver mais de 3 imóveis locados e receita superior a R$ 240 mil, ou quando esse limite for ultrapassado no próprio ano.
A locação terá redução de alíquota
As operações contam com redutor de 70% na alíquota do IBS/CBS.
A exceção é o aluguel por temporada, cuja redução é somente de 40%.
O comodato pode gerar tributação
Se o imóvel tiver gerado créditos na aquisição ou construção, a cessão gratuita para sócios ou familiares pode resultar em imposto mesmo sem entrada de receita.
A informalidade tende a acabar
A Reforma exige emissão de NFS-e e cadastro no Cadastro Imobiliário Brasileiro – CIB, tornando a locação informal cada vez menos viável (e por consequência, a sua declaração)
Mesmo pessoa física precisará de estrutura fiscal
Será necessário emitir nota fiscal, manter cadastros atualizados e cumprir obrigações acessórias.
A locação passa a ser tratada como atividade operacional, não apenas renda passiva.
Créditos da obra ganham relevância
Imóveis construídos para locação poderão gerar créditos de IBS/CBS, que ajudarão a reduzir a carga futura.
A locação se torna atividade fiscalmente monitorada
A combinação de nota fiscal, cadastro imobiliário e IVA dual traz mais transparência, mais controle e menos espaço para informalidade.
Quem possui vários imóveis precisa rever a estratégia
Pode ser necessário avaliar a manutenção na pessoa física, a constituição de holding ou outras formas de reorganização patrimonial.
Tributário não é surpresa. É estratégia e planejamento..
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A maioria das vagas de conselheiros é preenchida através de networking.
Na ACBrasil você pode criar e fortalecer contatos e parcerias.
Fale com a gente: contato@acbrasil.org.br
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Diversidade cognitiva e diversidade de gênero: ocaminho da ACBrasil
Lia Pullen Parente, presidente do CA da ACBrasil
8 de março, dia internacional da Mulher
O que mais me atrai na dinâmica das mesas de conselho é a essência do colegiado. Quando penso nessa estrutura, não consigo imaginar um grupo sem diversidade de ideias, pois um pensamento único raramente é capaz de agregar valor real aos negócios. Um bom conselho constrói novas estratégias a partir da pluralidade, oferecendo um suporte sólido para a inovação e o crescimento. Sempre que buscamos formar um conselho, priorizamos a diversidade cognitiva. Queremos o olhar apurado das finanças, a lente da sustentabilidade, o foco em vendas e o impulso da inovação. Para mim, essa riqueza técnica está intrinsecamente ligada à diversidade de gênero.
A visão dos diversos gêneros agrega camadas de interpretação essenciais para a governança de riscos e para o foco em ética de longo prazo. No entanto, neste 8 de março, vivemos um paradoxo. Embora a presença feminina tenha atingido recordes, o ritmo de novas nomeações estagnou globalmente. No Brasil, ocupamos apenas 18,7% das cadeiras, um avanço ainda lento para o potencial que representamos. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, empresas com conselhos balanceados têm 20% mais probabilidade de obter melhores resultados e menor incidência de fraudes financeiras.
Nesse cenário, a ACBrasil assume o papel fundamental de romper a repetição de rostos no mercado. Atuamos diretamente via networking estratégico e agora, com nosso programa de mentorias, para promover uma renovação real e qualificada nas instâncias de decisão. Acreditamos que a diversidade não é apenas uma pauta de equidade, mas uma estratégia de inteligência corporativa. Juntos, lideramos por dentro para transformar definitivamente o futuro da nossa governança e garantir que as mesas de conselho reflitam a pluralidade necessária para os negócios de amanhã.
Iniciativas
Happy Hour no Rio
Será dia 9 de março, entre 16 e 18 horas, o primeiro HH da ACBrasil, no Rio de Janeiro. O encontro, aberto a convidados, será no espaço da Firjan, no Centro (Avenida Graça Aranha 1). A ideia é que, a partir deste evento, os encontros no Rio aconteçam a cada bimestre.
Happy Hour em São Paulo
Acontecerá dia 17 de março, o primeiro HH em São Paulo. No evento, que será aberto ao público, membros do Conselho de Administração e da diretoria da associação apresentarão seu plano de trabalho para o biênio 2026-27. O happy hour começa às 18 horas, no restaurante Generale Via Castelli (rua Martinico Prado 341, Higienópolis), entrada a R$ 110 (bebidas alcoólicas à parte).
Dica de leitura
A empresa de corpo, mente e alma
Esse livro apresenta uma abordagem sistêmica sobre como gerir uma empresa. Oferece uma proposta eficaz, testada e avaliada por centenas de líderes e empresas, cujos depoimentos de alguns deles entremeiam os capítulos do livro. Enxergar uma empresa com corpo, mente e alma muda de maneira impactante a relação do líder para com ela, bem como a relação com os colaboradores e clientes. O resultado dessa empresa plena é o nível mais elevado de comprometimento por parte dos colaboradores e nível mais el evado de fidelização por parte dos clientes.
Família empresária: Editora Palavra Acesa, 2013;232 páginas.
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ACBrasil
Pela integridade na governança
A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.


