{"id":3069,"date":"2024-07-22T09:00:00","date_gmt":"2024-07-22T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acbrasil.org.br\/?p=3069"},"modified":"2024-07-21T22:47:58","modified_gmt":"2024-07-22T01:47:58","slug":"impactos-do-veiculo-eletrico-na-industria-automobilistica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acbrasil.org.br\/cms\/artigos\/energia\/impactos-do-veiculo-eletrico-na-industria-automobilistica-brasileira\/","title":{"rendered":"Impactos do ve\u00edculo el\u00e9trico na ind\u00fastria automobil\u00edstica brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>A transi\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo movido a combust\u00e3o interna (MCI) para o el\u00e9trico traz uma s\u00e9rie de desafios fundamentais para o futuro da ind\u00fastria automobil\u00edstica no pa\u00eds. A partir de uma aplica\u00e7\u00e3o concreta do m\u00e9todo Global Business Network (GBN) para constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios (Schwartz, 2000), e tendo como horizonte a evolu\u00e7\u00e3o do setor para os pr\u00f3ximos 20 anos, o presente artigo explora de que forma espec\u00edfica os movimentos associados ao desenvolvimento da alternativa el\u00e9trica aos motores a combust\u00e3o poder\u00e3o impactar a ind\u00fastria automobil\u00edstica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ponto central em toda a discuss\u00e3o neste artigo \u00e9 a quest\u00e3o ambiental. A emiss\u00e3o do di\u00f3xido de carbono (CO2) \u00e9 reconhecidamente um dos grandes respons\u00e1veis pelo desencadeamento do aquecimento global e dos decorrentes problemas associados \u00e0 polui\u00e7\u00e3o do ar. Desde o ano 2000, as emiss\u00f5es de CO2 envolvendo o setor de transportes rodovi\u00e1rio, ferrovi\u00e1rio, a\u00e9reo e mar\u00edtimo teve um crescimento m\u00e9dio anual de 1,9% e ainda representam 25% das emiss\u00f5es globais de CO2(ONU \u2013 Brasil, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>Em fun\u00e7\u00e3o disso, a ind\u00fastria automobil\u00edstica mundial tem assumido um papel crescente no processo de transforma\u00e7\u00e3o global do tipo energia consumida pelos ve\u00edculos que fabrica, incorrendo na substitui\u00e7\u00e3o da atual tecnologia de propuls\u00e3o atrav\u00e9s de motor a combust\u00e3o interna (MCI) pelo motor el\u00e9trico, buscando assim um aumento de efici\u00eancia energ\u00e9tica, ao mesmo tempo que reduz o n\u00edvel de emiss\u00e3o de gases poluentes. Esta l\u00f3gica tem justificado, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, os elevados investimentos feitos em pesquisa, desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE\u2019s) (Barassa e Consoni, 2015). Estima-se que as montadoras planejem investir cerca de US$ 515 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos 5 a 10 anos para desenvolver e construir novos ve\u00edculos movidos a bateria e abandonar os motores a combust\u00e3o. (Automotive News Europe, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p>No contexto brasileiro, contudo, contradi\u00e7\u00f5es importantes inerentes \u00e0 matriz energ\u00e9tica dominante no pa\u00eds t\u00eam se colocado como contraponto a acelera\u00e7\u00e3o do processo de mudan\u00e7a que globalmente se observa.<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil possui a matriz energ\u00e9tica mais renov\u00e1vel do mundo industrializado, <strong>com 48% de toda<\/strong> sua produ\u00e7\u00e3o vindo de fontes como recursos h\u00eddricos, biomassa e etanol, al\u00e9m das energias e\u00f3lica e solar. (GOV.br \u2013 2021)<\/p>\n\n\n\n<p>As usinas hidrel\u00e9tricas s\u00e3o respons\u00e1veis pela gera\u00e7\u00e3o de mais de 75% da eletricidade do pa\u00eds, considerando-se que a matriz energ\u00e9tica mundial \u00e9 composta por 13% de fontes renov\u00e1veis no caso de pa\u00edses industrializados, e por 6%, entre as na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento (IEA, 2018).<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9 tamb\u00e9m maior produtor de etanol de cana-de-a\u00e7\u00facar do mundo, ocupando posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a na tecnologia de sua produ\u00e7\u00e3o, sendo, em conjunto com os EUA, respons\u00e1vel por 80% de toda a produ\u00e7\u00e3o global (a produ\u00e7\u00e3o norte-americana se concentra no etanol obtido a partir do milho).<\/p>\n\n\n\n<p>Quando se pondera ent\u00e3o sobre as virtudes da matriz energ\u00e9tica brasileira, e o peso do etanol no setor de transportes do pa\u00eds, \u00e9 importante tamb\u00e9m reconhecer que estes mesmos elementos se colocam potenciais como redutores da urg\u00eancia e assertividade de pol\u00edticas governamentais de incentivo ao ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) quando comparadas \u00e0quelas que se observam em outros pa\u00edses com matrizes menos sustent\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro fator que pode levar o ecossistema automobil\u00edstico a permanecer mais tempo atrelado a uma tecnologia progressivamente obsoleta \u2013 ou seja, que n\u00e3o recebe investimentos significativos para um maior desenvolvimento \u2013 refere-se \u00e0 posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica que as subsidi\u00e1rias brasileiras ocupam em termos do desenvolvimento e da absor\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do que \u00e9 realizado por suas matrizes. No ciclo de investimentos da ind\u00fastria no Brasil para o per\u00edodo de 2021 a 2026, por exemplo, o investimento de R$ 52,6 bilh\u00f5es destina-se \u00e0 atualiza\u00e7\u00e3o do <em>line-up<\/em> de ve\u00edculos, desenvolvimento de novos motores a combust\u00e3o na moderniza\u00e7\u00e3o das linhas de produ\u00e7\u00e3o para aumento de produtividade, e n\u00e3o contemplam investimentos na eletrifica\u00e7\u00e3o veicular. (Automotive Business, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 contraintuitiva, sem d\u00favida, a defasagem tecnol\u00f3gica do ecossistema produtivo instalado no Brasil, j\u00e1 que o pa\u00eds \u00e9 relativamente importante em termos do volume com que contribui para a produ\u00e7\u00e3o global de autom\u00f3veis. Com uma capacidade de produ\u00e7\u00e3o anual instalada de 5 milh\u00f5es de ve\u00edculos,&nbsp;o Brasil passou da d\u00e9cima primeira coloca\u00e7\u00e3o em 2011 para a oitava posi\u00e7\u00e3o em 2022, com a participa\u00e7\u00e3o de 3,9% do mercado mundial&nbsp;(ANFAVEA-2023).<\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no pa\u00eds hoje \u00e9, portanto, vulner\u00e1vel, principalmente ao se considerar que o mercado automobil\u00edstico segue sendo um dos mais globalizados e que, nos pr\u00f3ximos anos, devem se materializar cen\u00e1rios onde tecnologias de base distintas passam a ser exploradas em maior intensidade, incorrendo em um maior risco de fragmenta\u00e7\u00e3o de ecossistemas produtivos, em curvas de aprendizagem mais longas, em situa\u00e7\u00f5es de <em>lock-in<\/em> mais frequentes e em economias de escala menos significativas (Freyssenet, 2011).<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo, ap\u00f3s a presente introdu\u00e7\u00e3o, segue com a apresenta\u00e7\u00e3o do referencial te\u00f3rico e da justificativa para a sele\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo utilizado para a constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios no presente estudo. Na sequ\u00eancia, s\u00e3o descritos a forma como o m\u00e9todo foi aplicado e os quatro cen\u00e1rios que da\u00ed resultaram. Por fim, a conclus\u00e3o apresenta uma an\u00e1lise geral sobre o processo do estudo como um todo e sobre os seus resultados, al\u00e9m de discorrer sobre suas limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00facleo central do esfor\u00e7o de pesquisa focou-se, portanto, na facilita\u00e7\u00e3o de cada uma dessas conversas, fazendo com que cada uma delas se alavancasse na experi\u00eancia de cada participante e pudesse assim revelar suas perspectivas sobre futuro do mercado, levando-os a auto-organizarem seus modelos mentais de maneira a convergir para o a roteiro de elabora\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios adotado na pesquisa (Marcial, 2002).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com BOSTON CONSULTING GROUP 2020 o TCO (Total Cost Ownership) est\u00e1 em queda. E, de longe, a maior causa da queda do TCO dos BEVs s\u00e3o os pre\u00e7os das baterias, que est\u00e3o caindo de forma mais acentuada e mais r\u00e1pida do que o esperado.&nbsp;Com base em extensas discuss\u00f5es com fabricantes de baterias e especialistas em todo o mundo \u2013 principalmente na China e na Cor\u00e9ia do Sul \u2013, bem como com fabricantes de autom\u00f3veis sobre suas expectativas \u00e0 medida que elaboram seus planos de compra de baterias, agora esperamos que os custos das baterias caiam abaixo de US$ 100 por quilowatt-hora (kWh) at\u00e9 2030 (em oposi\u00e7\u00e3o a cerca de US$ 126 por kWh em nossa proje\u00e7\u00e3o anterior).&nbsp;&nbsp;Ao longo de 15 anos, entre 2014 e 2030, os pre\u00e7os das baterias ter\u00e3o ca\u00eddo mais de 80%, de US$ 540 para US$ 100 (BCG \u2013 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o dos pre\u00e7os pode ent\u00e3o ter novamente um papel determinante para o entendimento da difus\u00e3o do ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) no mercado global, que segue um ritmo mais acelerado quando comparado com o Brasil.Segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia IEA \u2013 2022, no per\u00edodo 2014-2022 estavam rodando nas estradas 16,5 milh\u00f5es de ve\u00edculos el\u00e9tricos, sendo que as vendas de 2022 apresentaram um crescimento expressivo de 75% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2021 (IEA, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IEA Global EV Outlook 2023, est\u00e1 definida at\u00e9 2030, uma meta de 240 milh\u00f5es de carros (IEA 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar desse expressivo crescimento de volumes em termos globais, no Brasil a realidade \u00e9 bem mais modesta, apresentando um total de vendas, entre 2021 e 2022, de 84.252 unidades, sendo 34.990 unidades em 2021 e 49.262 unidades em 2022. Anualizados, estes volumes representam 1,8% do volume de vendas de ve\u00edculos no Brasil entre os anos acima mencionados (ANFAVEA-2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Denatran, a frota circulante de ve\u00edculos leves em 31 de dezembro de 2022 era de 60.46 milh\u00f5es de ve\u00edculos, sendo que deste total 0,0348 milh\u00f5es de ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE), representando apenas 0,06% dessa frota (Minist\u00e9rio da Infraestrutura &#8211; DENATRAN, 2023)<\/p>\n\n\n\n<p>Considerando-se os motivos para esse baixo crescimento surgem as j\u00e1 apresentadas condicionantes inibidoras derivadas da matriz energ\u00e9tica nacional e a posi\u00e7\u00e3o relativamente perif\u00e9rica do desenvolvimento tecnol\u00f3gico automotivo realizado no Brasil. Entende-se que a quest\u00e3o principal a ser trabalhada no processo de constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios, que neste artigo se apresenta, trata do tipo de resposta, ou de adequa\u00e7\u00e3o, que a ind\u00fastria automobil\u00edstica no Brasil ser\u00e1 capaz de apresentar nas pr\u00f3ximas duas d\u00e9cadas, frente aos desafios que o desenvolvimento do ve\u00edculo el\u00e9trico lhe apresenta em outros contextos globais de mercado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o das for\u00e7as motrizes, foi feita a sua classifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de respostas a um question\u00e1rio respondido pelos executivos participantes, dando por sua vez origem a uma matriz de hierarquiza\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia e incerteza.<\/p>\n\n\n\n<p>A classifica\u00e7\u00e3o foi feita com base em dois crit\u00e9rios, seguindo a recomenda\u00e7\u00e3o de Schwartz (1991). O primeiro \u00e9 o grau de incerteza para o sucesso da quest\u00e3o central; o segundo, o grau de import\u00e2ncia em torno desses fatores e tend\u00eancias. Foi tomado o cuidado de garantir que a defini\u00e7\u00e3o do n\u00famero de vari\u00e1veis classificadas como cr\u00edticas fosse limitado, pois a utiliza\u00e7\u00e3o de muitas vari\u00e1veis pode trazer como consequ\u00eancia uma quantidade de cen\u00e1rios dif\u00edceis de serem avaliados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessa matriz de incerteza e import\u00e2ncia, quatro for\u00e7as foram identificadas como sendo as principais incertezas cr\u00edticas. As demais foram consideradas como sendo fatores pr\u00e9-determinados.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o dos nomes dos eixos ortogonais, o pr\u00f3ximo passo foi a constru\u00e7\u00e3o de uma matriz com quatro quadrantes onde cada um deles representa a l\u00f3gica de um determinado cen\u00e1rio conforme descrito a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p>Sunny Day \u2013 a l\u00f3gica do cen\u00e1rio \u00e9 de desenvolvimento \u201cprogressivo\u201d e investimento \u201cintensivo\u201d. O ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) tem uma difus\u00e3o acelerada com forte tend\u00eancia de decl\u00ednio do motor a combust\u00e3o (MCI);<\/p>\n\n\n\n<p>Passing Cloud \u2013 a l\u00f3gica do cen\u00e1rio \u00e9 o desenvolvimento \u201cprogressivo\u201d e investimento \u201cmoderado\u201d. As economias de custos totais do ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) n\u00e3o apresentavam vantagens significativas comparadas com as dos ve\u00edculos movidos por combust\u00e3o interna (MCI), n\u00e3o sendo, portanto, suficientes para motivar sua difus\u00e3o;<\/p>\n\n\n\n<p>Cloud day \u2013 a l\u00f3gica do cen\u00e1rio \u00e9 o desenvolvimento \u201ctradicional\u201d e investimento \u201cintensivo\u201d. Mesmo com toda a tecnologia d\u00edspon\u00edvel e apesar da moderniza\u00e7\u00e3o das linhas de produ\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 preparado para oferecer um ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) feito para ser acess\u00edvel ao consumidor;<\/p>\n\n\n\n<p>Nightmare &#8211; a l\u00f3gica do cen\u00e1rio \u00e9 o desenvolvimento \u201ctradicional\u201d e investimento \u201cmoderado\u201d<strong>. <\/strong>A ind\u00fastria n\u00e3o faz investimentos suficientes na atualiza\u00e7\u00e3o do line-up de ve\u00edculos , o pa\u00eds n\u00e3o faz investimentos em infraestrutura, retrocede nos limites da legisla\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es e os ve\u00edculosmovidos a combust\u00e3o interna (MCI) continuam a ser o design dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>A representa\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica dos cen\u00e1rios est\u00e1 configurada de acordo com a figura a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p>Figura 1 \u2013 Eixos ortogonais dos cen\u00e1rios<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"610\" height=\"405\" src=\"https:\/\/acbrasil.org.br\/src\/uploads\/2024\/07\/imagem1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3071\" srcset=\"https:\/\/acbrasil.org.br\/cms\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/imagem1.jpg 610w, https:\/\/acbrasil.org.br\/cms\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/imagem1-150x100.jpg 150w, https:\/\/acbrasil.org.br\/cms\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/imagem1-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 610px) 100vw, 610px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Fonte: Elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria a partir de Marcial (2005)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>Descri\u00e7\u00e3o dos cen\u00e1rios<\/em><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O desdobramento dos cen\u00e1rios foi ent\u00e3o realizado de forma narrativa, conforme proposto pelo m\u00e9todo selecionado, explicando detalhadamente \u201ccomo o mundo evoluiu durante o horizonte de tempo preestabelecido\u201d (Marcial, 2001 p.97).<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme tamb\u00e9m sugerido pelo m\u00e9todo, as narrativas se construiram a partir da vis\u00e3o de um observador imagin\u00e1rio que teria tido acesso aos acontecimentos havidos no setor entre os anos de 2020 a 2040, ano em que ele viveria no futuro. \u00c9 por essa raz\u00e3o que as descri\u00e7\u00f5es subsequentes se encontram todas no tempo passado.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><u>SUNNY DAY<\/u><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>Entre os anos de 2020 e 2040 houve um salto gigantesco no desenvolvimento tecnol\u00f3gico. As montadoras investiram em f\u00e1bricas de baterias e reduziram em mais de 70% o custo desses componentes, o que viabilizou a produ\u00e7\u00e3o em massa de carros el\u00e9tricos com pre\u00e7os equivalentes aos cobrados por modelos com motor a combust\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A frota de ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos atingiu a marca de 41.000 unidades em 2021 e apresentava clara tend\u00eancia de crescimento: as vendas triplicaram em compara\u00e7\u00e3o a 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Com um programa de incentivos fiscais acompanhado de aportes das montadoras, fornecedores come\u00e7aram a produzir componentes para os autom\u00f3veis eletrificados, revertendo o processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o que afetava o pa\u00eds. Um novo parque fabril se consolida.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados obtidos superam as expectativas. As vendas chegaram a 3,5 milh\u00f5es de unidades em 2030, ante os volumes previstos por v\u00e1rias empresas de consultoria em fun\u00e7\u00e3o das expectativas do prolongamento da crise de abastecimento de semicondutores de 2021 \/ 2022 que afetou toda a cadeia de suprimentos. Finalmente, a produ\u00e7\u00e3o retornou aos patamares de 2013, 17 anos ap\u00f3s a crise da metade da segunda d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo a tend\u00eancia mundial, movimentos relativos \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica ganham tra\u00e7\u00e3o no Brasil a partir de 2030 e se tornam o centro da consci\u00eancia social e pol\u00edtica. Os consumidores querem ve\u00edculos mais seguros e com menores n\u00edveis de emiss\u00f5es de gases do efeito estufa (GEE).<\/p>\n\n\n\n<p>Com a ado\u00e7\u00e3o da agenda ESG (crit\u00e9rios para corpora\u00e7\u00f5es e sociedade desenvolverem boas pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a), empresas adotam ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) em suas frotas. Esse movimento faz as locadoras ampliarem a oferta de autom\u00f3veis que n\u00e3o emitem poluentes, o que movimenta ainda mais as linhas de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para acompanhar a tend\u00eancia de vanguarda e os sinais do mercado, o governo brasileiro criou pol\u00edticas ambientais mais r\u00edgidas, definindo metas restritivas para emiss\u00f5es de GEE. S\u00e3o adotadas medidas de incentivo, tanto para a ind\u00fastria investir em pesquisa e desenvolvimento de produto como para estimular os consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 criado um programa de renova\u00e7\u00e3o de frota, que concede b\u00f4nus na troca de um ve\u00edculo a combust\u00e3o interna (MCI) por um modelo el\u00e9trico. At\u00e9 o ano de 2035, o compartilhamento de ve\u00edculos tamb\u00e9m avan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Programas de investimento em gera\u00e7\u00e3o de energia foram criados. A expans\u00e3o da rede de recarga, antes concentrada na iniciativa privada, tornou-se pol\u00edtica de estado. Novas edifica\u00e7\u00f5es, sejam residenciais ou comerciais, foram obrigadas por lei a oferecer tomadas para autom\u00f3veis. Surgiram v\u00e1rias startups investindo em solu\u00e7\u00f5es para o novo modelo de mobilidade. Para aproveitar o potencial do mercado brasileiro, as matrizes das montadoras fizeram pesados investimentos no pa\u00eds e definiram estrat\u00e9gias de longo prazo para o desenvolvimento de baterias, al\u00e9m de estabelecerem parcerias com a cadeia de fornecedores para acelerar a produ\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o do ve\u00edculo el\u00e9trico (VE). Apesar do avan\u00e7o da eletrifica\u00e7\u00e3o osfabricantes ainda apostaram na melhoria dos motores a combust\u00e3o interna (MCI). A iniciativa buscava aproveitar os biocombust\u00edveis dispon\u00edveis no pa\u00eds. Entretanto, a efici\u00eancia energ\u00e9tica n\u00e3o atendia completamente as metas estabelecidas pelo governo. O pa\u00eds tem convivido com diversos modelos de propuls\u00e3o. Como consequ\u00eancia, ve\u00edculos movidos a gasolina, diesel, etanol e g\u00e1s natural veicular (GNV) permanecem em circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Conflitos internacionais engendraram uma nova escalada dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, a exemplo do que ocorreu na d\u00e9cada de 1970. O contexto contribui significativamente para acelerar a ado\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo el\u00e9trico (VE), pois a ind\u00fastria brasileira de biocombust\u00edveis eleva, a reboque, os pre\u00e7os do etanol.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o cont\u00ednuo investimento em baterias e o fortalecimento de parcerias com a cadeia de fornecedores locais, a ind\u00fastria automobil\u00edstica brasileira reduziu a depend\u00eancia de componentes importados, cujos pre\u00e7os estavam sujeitos aos altos e baixos da varia\u00e7\u00e3o cambial.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investimentos iniciados em 2030 para gera\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de eletricidade deram resultado. Ampliada, a matriz energ\u00e9tica conferiu confian\u00e7a e independ\u00eancia na escolha entre ve\u00edculos puramente el\u00e9tricos ou h\u00edbridos.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido ao acelerado crescimento das vendas, a ind\u00fastria automobil\u00edstica promoveu o lan\u00e7amento de novos modelos e vers\u00f5es de carros el\u00e9tricos (VE), e algumas montadoras chegam a anunciar o encerramento da produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos com motores a combust\u00e3o (MCI).<\/p>\n\n\n\n<p>Os setores petrol\u00edfero e sucroalcooleiro reagiram por meio de uma guerra de pre\u00e7os, mas n\u00e3o conseguiram segurar o avan\u00e7o e difus\u00e3o dos ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos. A partir de 2040, a produ\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos movidos a motor a combust\u00e3o (MCI) segue em queda acentuada e os ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) confirmam sua supremacia, continuando sua trajet\u00f3ria crescente em um \u201cSunny Day\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><u>PASSING CLOUD<\/u><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>A ind\u00fastria automobil\u00edstica estava se recuperando de um per\u00edodo de crise iniciada em 2014, que resultou em uma queda significativa na produ\u00e7\u00e3o e nas vendas. A depress\u00e3o veio ap\u00f3s 10 anos seguidos de resultados positivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo tendo sofrido reveses ao longo da crise, os progn\u00f3sticos das ind\u00fastrias ligadas ao setor sugeriam a continuidade da recupera\u00e7\u00e3o iniciada em 2017. Havia confian\u00e7a em uma retomada vigorosa a partir de 2020, mas as expectativas foram abaladas com o surgimento da pandemia de Covid-19, agravada com a crise mundial de abastecimento de semicondutores em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Com pa\u00edses isolados, interrup\u00e7\u00f5es nas linhas de produ\u00e7\u00e3o, alta no pre\u00e7o dos insumos, desvaloriza\u00e7\u00e3o do real perante o d\u00f3lar e falta de componentes em diversos momentos, os volumes no setor automotivo retrocederam aos n\u00edveis registrados em 2016, derrubando as perspectivas de uma recupera\u00e7\u00e3o a curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a consequente queda de receitas, as ind\u00fastrias foram obrigadas a se adequar \u00e0 nova realidade e a redirecionar seus esfor\u00e7os. Manter a sa\u00fade financeira para atravessar mais um per\u00edodo de crise tornou-se a principal meta.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investimentos foram reduzidos e, em fun\u00e7\u00e3o de sua magnitude, as matrizes mantiveram os recursos para que o desenvolvimento dos ve\u00edculos el\u00e9tricos fosse realizado em seus pa\u00edses de origem. Essa decis\u00e3o criou um hiato na inser\u00e7\u00e3o do Brasil nessa competi\u00e7\u00e3o pelos recursos necess\u00e1rios ao desenvolvimento de produto. O pa\u00eds ficou em uma posi\u00e7\u00e3o de \u201cseguidor de tecnologia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a economia teve uma profunda queda de gera\u00e7\u00e3o de renda. As receitas do governo, j\u00e1 escassas, tiveram que ser redirecionadas aos programas de assist\u00eancia social aos desempregados e \u00e0s empresas afetadas pela crise, sendo que muitas delas encerraram suas atividades. Em 2020, ap\u00f3s mais de 100 anos de opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, a Ford anuncia oficialmente, o encerramento de suas atividades industriais e fecha todas as suas f\u00e1bricas. Milharesde empregos s\u00e3o perdidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a falta de recursos, o governo n\u00e3o teve como oferecer incentivos para as ind\u00fastrias investirem em pesquisa e desenvolvimento ou em infraestrutura, nem como conceder benef\u00edcios de redu\u00e7\u00e3o de impostos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem recursos e sem est\u00edmulos governamentais, ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) continuaram a chegar ao mercado apenas como importados \u2013 e com pre\u00e7os altos quando comparados aos ve\u00edculos equipados com motores a combust\u00e3o interna (MCI). Esses modelos continuaram a ser a tecnologia dominante por mais duas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo tendo compromissos com a agenda ambiental de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de GEE, o pa\u00eds continuou dependendo da produ\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos movidos a gasolina, etanol ou diesel.<\/p>\n\n\n\n<p>A redu\u00e7\u00e3o dos custos de rodagem e de manuten\u00e7\u00e3o proporcionadas pelo ve\u00edculo el\u00e9trico em compara\u00e7\u00e3o aos autom\u00f3veis com motor a combust\u00e3o n\u00e3o eram suficientes para motivar sua difus\u00e3o, haja vista a total falta de infraestrutura e ao elevado custo de aquisi\u00e7\u00e3o. Neste contexto as expectativas de uma difus\u00e3o acelerada dos ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) seguem os rumos como a de uma \u201cPassing Cloud\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><u>CLOUD DAY<\/u><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>O setor automobil\u00edstico se manteve sob press\u00e3o durante as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 21 em fun\u00e7\u00e3o dos temas relativos \u00e0 agenda ambiental e \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas mais sustent\u00e1veis na cadeia produtiva. A ind\u00fastria permaneceu no centro dos debates, pressionada por legisla\u00e7\u00f5es cada vez mais restritivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s emiss\u00f5es de GEE.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resposta a essas press\u00f5es, os fabricantes de ve\u00edculos, em conjunto com seu parque de fornecedores, investiram na melhoria da efici\u00eancia de seus motores a combust\u00e3o interna (MCI). Al\u00e9m da tecnologia flexfuel conciliada ao turbo, foram implementados projetos envolvendo sistemas h\u00edbridos, incluindo motor el\u00e9trico, chegando-se mesmo a se ter uma solu\u00e7\u00e3o com uma bateria de hidrog\u00eanio alimentada por etanol, com um n\u00edvel de emiss\u00e3o de CO2 pr\u00f3ximo de zero. Isso fez com que a ind\u00fastria brasileira conseguisse alavancar-se na matriz energ\u00e9tica pr\u00e9-existente no pa\u00eds e manter alguma relev\u00e2ncia como player no mercado mundial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a ado\u00e7\u00e3o desse tipo de alternativa nunca deixou de estar restrita a um nicho de mercado bastante espec\u00edfico em fun\u00e7\u00e3o do elevado pre\u00e7o final do ve\u00edculo. A Toyota manteve sua hegemonia nessa vanguarda e foi a primeira montadora a produzir no Brasil o ve\u00edculo h\u00edbrido flexfuel Corolla com pre\u00e7o 23% maior que o modelo flexfuel convencional.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma vis\u00e3o dominante durante todo o per\u00edodo em quest\u00e3o que os ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE), mesmo n\u00e3o sendo uma novidade, representavam uma \u201cdisrup\u00e7\u00e3o\u201d: levariam inevitavelmente ao fim do paradigma que havia prevalecido nos 100 anos anteriores, nos quais os motores \u00e0 combust\u00e3o interna (MCI) reinaram absolutos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, como os governos que estiveram no poder nunca detiveram os recursos e a vontade pol\u00edtica necess\u00e1ria para a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura e para redu\u00e7\u00e3o dos impostos incidentes sobre os ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE), medidas fundamentais para a sua populariza\u00e7\u00e3o fizeram com que a sua ado\u00e7\u00e3o ficasse restrita a uma parcela de consumidores concentrados no mercado de ve\u00edculos Premium, todos importados e cotados em d\u00f3lar.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a inexist\u00eancia de um mercado atrativo que justificasse aportes na transforma\u00e7\u00e3o de suas unidades de produ\u00e7\u00e3o, a cadeia de fornecedores se manteve dependente do mercado de ve\u00edculos movidos por motores a combust\u00e3o (MCI). Com isso, afastou-se cada vez mais do desenvolvimento de componentes para ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) e restritos ao fornecimento local, perdendo assim mais uma oportunidade de ser um player global.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos menores custos de rodagem e de manuten\u00e7\u00e3o quando comparados aos carros movidos a gasolina, etanol ou diesel, a ado\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) pelos consumidores continuou em ritmo lento, com crescimento baixo ano ap\u00f3s ano e sempre limitado a modelos de alto valor. O Brasil seguiu com participa\u00e7\u00e3o inferior a 1% nas vendas globais de autom\u00f3veis que podem ser recarregados na tomada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desse modo, a evolu\u00e7\u00e3o do mercado de reposi\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as e de comercializa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos el\u00e9tricos usados n\u00e3o se mostrou verdadeiramente atrativa, afastando ainda mais as possibilidades de amplia\u00e7\u00e3o do mercado para novos consumidores.<\/p>\n\n\n\n<p>O que parecia ser uma tend\u00eancia de crescimento em fun\u00e7\u00e3o de todo o arsenal tecnol\u00f3gico desenvolvido nas matrizes das empresas estabelecidas no Brasil configurou-se, na pr\u00e1tica, como oportunidade de nicho. O pa\u00eds n\u00e3o estava devidamente preparado para oferecer um ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) feito para ser acess\u00edvel ao consumidor em substitui\u00e7\u00e3o ao autom\u00f3vel movido por combust\u00e3o interna (MCI), que continua sendo dominante, e o pa\u00eds \u201cn\u00e3o perde a oportunidade de perder uma oportunidade\u201d como um \u201cCloud Day\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><em><u>NIGHTMARE<\/u><\/em><\/h2>\n\n\n\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o ambiental tornou-se mais severa, por\u00e9m o pa\u00eds n\u00e3o conseguiu investir nem na infraestrutura necess\u00e1ria nem na produ\u00e7\u00e3o dos incentivos fiscais necess\u00e1rios. A expectativa pela chegada dos ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) nacionais foi se transformando, ao longo dos anos, em evidente frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O pior dos contextos se materializou com as matrizes deixando gradativamente de realizar qualquer investimento no pa\u00eds. Deu-se, de fato, um movimento de desindustrializa\u00e7\u00e3o, come\u00e7ado pela Ford em 2020 ao fechar suas f\u00e1bricas ap\u00f3s 100 anos de opera\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>As startups que apostaram em postos de recarga r\u00e1pida n\u00e3o conseguiram recuperar os recursos devido \u00e0 falta de clientes rodando com ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE). Uma grande parte de esta\u00e7\u00f5es se encontra hoje claramente sucateada por falta de uso e correspondente manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com as dificuldades de infraestrutura, os carros que foram vendidos s\u00e3o desvalorizados no mercado de usados, o que dificulta ainda mais a comercializa\u00e7\u00e3o de modelos zero-quil\u00f4metro. O receio de perdas futuras na revenda afugentou ainda mais qualquer novo comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>O pre\u00e7o dos combust\u00edveis seguiu a l\u00f3gica de reajustes constantes. A ind\u00fastria sucroalcooleira, devido a problemas clim\u00e1ticos, incorreu em frequentes quebras de safra e n\u00e3o conseguiu produzir com custos adequados, para atender tanto o mercado de etanol como o mercado de a\u00e7\u00facar. O etanol, considerado como uma alternativa limpa e ambientalmente amig\u00e1vel, manteve-se sempre em uma acirrada concorr\u00eancia nacional com os combust\u00edveis f\u00f3sseis. A ind\u00fastria petrol\u00edfera soube sempre como reagir e praticou pre\u00e7os que mantiveram os custos de produ\u00e7\u00e3o do etanol sempre em um limite m\u00ednimo frente ao pre\u00e7o dos f\u00f3sseis.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem fatores que motivassem investimentos em novas tecnologias, e com a necessidade de obter recursos oriundos de produtos j\u00e1 existentes, a ind\u00fastria automobil\u00edstica manteve a sua conhecida e bem-sucedida estrat\u00e9gia de produtos para pa\u00edses emergentes, apoiando-se em legisla\u00e7\u00f5es locais menos exigentes em quesitos como seguran\u00e7a e efici\u00eancia energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>A fabrica\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos equipados com motores a combust\u00e3o interna (MCI) vem seguindo h\u00e1 mais duas d\u00e9cadas, reafirmando sua supremacia. Sem a possibilidade de acompanhar o ritmo de desenvolvimento atualizado de suas matrizes, a ind\u00fastria de autope\u00e7as brasileira continua ref\u00e9m de um aprisionamento tecnol\u00f3gico (<em>lock-in<\/em>) e vivendo indefinidamente uma esp\u00e9cie de \u201cNightmare\u201d.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong><em>An\u00e1lise das implica\u00e7\u00f5es e alternativas<\/em><\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>As narrativas constru\u00eddas indicam o complexo contexto envolvendo as quest\u00f5es relativas ao desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas, cumprimento das exig\u00eancias dos acordos de limita\u00e7\u00e3o de emiss\u00e3o de gases efeito estufa, matriz energ\u00e9tica brasileira, utiliza\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis e, n\u00e3o menos importante, os interesses das matrizes de investir em novas tecnologias no Brasil, em uma fase em que se requer uso intensivo de capital em seus pa\u00edses de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica requerida pelo ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) traz no seu bojo a necessidade de forma\u00e7\u00e3o de parcerias com os fornecedores locais que contam com capacidades limitadas, tanto do aspecto tecnol\u00f3gico<strong>,<\/strong> quanto das limita\u00e7\u00f5es de recursos para acompanhar o ritmo de desenvolvimento das montadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ficou evidenciada a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os governamentais no sentido de definir especifica\u00e7\u00f5es claras para a eletrifica\u00e7\u00e3o veicular bem como da cria\u00e7\u00e3o de programas de incentivo a sua difus\u00e3o. Cito como exemplo a Lei n\u00b0 17.336\/2020 do Munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo, determinando que, a partir de 01 de abril de 2020, todos os pr\u00e9dios em constru\u00e7\u00e3o ter\u00e3o que disponibilizar esta\u00e7\u00f5es de carregamento para carros el\u00e9tricos e h\u00edbridos plug-in (Calejo, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, ap\u00f3s quase um s\u00e9culo de predomin\u00e2ncia da tecnologia do motor a combust\u00e3o interna (MCI), \u00e9 de se esperar que a transi\u00e7\u00e3o para o ve\u00edculo el\u00e9trico (VE) seja feita de forma lenta e gradual<strong>, <\/strong>pois at\u00e9 o presente momento ainda n\u00e3o est\u00e1 claramente definido qual ser\u00e1 o tipo de propuls\u00e3o veicular mais adequado \u00e0scondi\u00e7\u00f5es do pa\u00eds: se o ve\u00edculo puramente el\u00e9trico movido a bateria; se o ve\u00edculo h\u00edbrido, combinado com motoriza\u00e7\u00e3o flexfuel,cuja ado\u00e7\u00e3o possibilita a utiliza\u00e7\u00e3o do etanol; ou os ve\u00edculos movidos a c\u00e9lula de combust\u00edvel. Trava-se ainda uma disputa para se definir qual poder\u00e1 ser o design dominante da propuls\u00e3o desse futuro ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O m\u00e9todo da constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios se mostrou eficaz na organiza\u00e7\u00e3o e alinhamento de perspectivas diversas em discuss\u00f5es dirigidas \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es evolutivos de mercado. Isso pode ser afirmado ao considerar-se que o principal prop\u00f3sito ou utilidade que se pode atribuir aos exerc\u00edcios de cenariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 evidentemente o de \u201cprever\u201d o futuro, intento que n\u00e3o pode sequer ser associado \u00e0 t\u00e9cnica de cen\u00e1rios (Greeuw et al., 2000), mas o de identificar, de maneira sistem\u00e1tica, evolu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis a partir de uma situa\u00e7\u00e3o inicial dada e, a partir dessas evolu\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, subsidiar analiticamente decis\u00f5es presentes, al\u00e9m de definir indicadores-chave de monitoramento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 exatamente pelo acompanhamento sistem\u00e1tico dos indicadores-chave, extra\u00eddos como produto da constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios, que se pode definir a natureza das decis\u00f5es estrat\u00e9gicas e <em>timing<\/em> adequado para aloca\u00e7\u00e3o de recursos. Indicadores que se movimentem na dire\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca de um cen\u00e1rio como o <em>\u201cSunny Cloud\u201d<\/em> induziriam a acelera\u00e7\u00e3o de investimentos das matrizes no exterior para a captura de oportunidades locais. No caso dos indicadores se deslocarem na dire\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas demais cen\u00e1rios, \u00e9 evidente que a posterga\u00e7\u00e3o ou mesmo cancelamento de qualquer investimento no pa\u00eds \u00e9 o que faria mais sentido sobre uma perspectiva empresarial.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos seus evidentes apelos pr\u00e1ticos, o modelo de cen\u00e1rios tem reconhecidas limita\u00e7\u00f5es, pass\u00edveis de serem associadas a caracter\u00edsticas inerentes ao m\u00e9todo (Kossow e Gassner, 2008). Cen\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o uma imagem \u201ctotal\u201d de um futuro poss\u00edvel, n\u00e3o s\u00e3o dedu\u00e7\u00f5es de um modelo causal testado onde todas as vari\u00e1veis explicativas foram identificadas. S\u00e3o sempre recortes, s\u00e3o constructos indutivamente elaborados a partir da perspectiva de quem foi legitimado como tendo conhecimento e experi\u00eancia no assunto e, como consequ\u00eancia, carregam sempre o vi\u00e9s de cada um dos que participaram do processo da sua elabora\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de se constitu\u00edrem a partir dessa sele\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis que s\u00e3o consideradas como as concretamente relevantes para a an\u00e1lise, cen\u00e1rios s\u00e3o sempre constru\u00eddos a partir de assun\u00e7\u00f5es de como essas vari\u00e1veis se relacionam entre si e de como podem, em conjunto, evoluir no futuro. Aqui tamb\u00e9m \u00e9 ineg\u00e1vel a exposi\u00e7\u00e3o do resultado obtido ao vi\u00e9s de quem participou de todo o processo.<\/p>\n\n\n\n<p>As limita\u00e7\u00f5es mais gerais da constru\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios como t\u00e9cnica prospectiva est\u00e3o, portanto, na base das limita\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do estudo que aqui se realizou. Como em qualquer outro exerc\u00edcio de cenariza\u00e7\u00e3o que se realize, aqui tamb\u00e9m a constata\u00e7\u00e3o futura da pertin\u00eancia das an\u00e1lises realizadas no trabalho \u00e9 integralmente dependente do conhecimento efetivo, mais do que o suposto saber, do conjunto dos envolvidos com o trabalho. O interessante \u00e9 saber que o futuro seguramente ir\u00e1 revelar o quanto dessas limita\u00e7\u00f5es se mostrar\u00e3o como verdadeiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, pode-se se afirmar que o processo de desenvolvimento de cen\u00e1rios do qual aqui se teve o relato incorreu em benef\u00edcios imediatos que s\u00e3o independentes dos poss\u00edveis acertos que o tempo poder\u00e1 vir a revelar, principalmente ao se considerar a forma como ele ocorreu seguindo as diretrizes do m\u00e9todo GBN. Sendo um exerc\u00edcio estruturado e inclusivo de reflex\u00e3o e an\u00e1lise sobre um tema premente de mercado, permitiu ao grupo participante organizar perspectivas diversas e, a partir da\u00ed, aprofundar entendimentos sobre o que define a l\u00f3gica interna e os padr\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica no Brasil. O trabalho em si mesmo, portanto, levou cada um dos envolvidos a considerar pontos que talvez isoladamente n\u00e3o inclu\u00edsse em uma an\u00e1lise individual. Isto, por si s\u00f3, j\u00e1 qualifica o exerc\u00edcio como gerencialmente relevante para quem dele participou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">AP\u00caNDICE: FATOS RELEVANTES A SEREM CONSIDERADOS<\/h2>\n\n\n\n<p>Os investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias para baterias e infraestrutura, visando suportar e atender a demanda dos ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE), t\u00eam se intensificado. Entretanto, o design dominante do motor a combust\u00e3o interna (MCI) tem, entre algumas das ind\u00fastrias automotrizes, uma reserva de valores e elas ainda continuam a fazer investimentos visando reduzir e ou eliminar a emiss\u00e3o de CO2.<\/p>\n\n\n\n<p>Em parceria com a TOYOTA, a fabricante Chinesa GAC apresentou um prot\u00f3tipo de motor movido a am\u00f4nia liquida, que seria um combust\u00edvel alternativo \u00e0 eletricidade e ao hidrog\u00eanio (Automotive Business \u2013 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, a STELLANTIS e JEEP balan\u00e7aram o futuro das estruturas da ind\u00fastria dos ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) com o an\u00fancio do desenvolvimento de um motor a ar comprimido, com a redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 50% no consumo de combust\u00edvel, com a promessa de redu\u00e7\u00e3o de 99% das emiss\u00f5es de CO2 (CLICKPETROLEO E GAS \u2013 2023).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a CEO da GM, Mary Barra, a aposta em ve\u00edculos el\u00e9tricos (VE) se tornou um pesadelo financeiro, deixando os ve\u00edculos movidos por motor a combust\u00e3o interna (MCI) em segundo plano. Atualmente a GM est\u00e1 vendendo ve\u00edculos el\u00e9tricos com preju\u00edzo. (<a href=\"https:\/\/www.doovi.com\/video\/urgente-ceo-da-gm-choca-todos-os-fabricantes\/eSvqqYsdPYk\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.doovi.com\/video\/urgente-ceo-da-gm-choca-todos-os-fabricantes\/eSvqqYsdPYk<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<p>Em mar\u00e7o de 2023, a Comiss\u00e3o Europeia e a Alemanha anunciaram um acordo que permitir\u00e1 a continua\u00e7\u00e3o da venda de autom\u00f3veis com motor de combust\u00e3o movidos exclusivamente a combust\u00edveis sint\u00e9ticos (e-fuel, produzido a partir da combina\u00e7\u00e3o de g\u00e1s de hidrog\u00e9nio \u2013 H2 \u2013 e di\u00f3xido de carbono \u2013 CO2). Criados atrav\u00e9s de um processo qu\u00edmico, s\u00e3o produzidos sem petr\u00f3leo, mas acabam por gerar um combust\u00edvel que pode ter caracter\u00edsticas semelhantes \u00e0 gasolina ou ao gas\u00f3leo, mesmo depois da entrada em vigor da legisla\u00e7\u00e3o que obriga a uma pol\u00edtica de vendas com emiss\u00f5es zero apenas a partir de 2035. (<a href=\"https:\/\/www.politico.eu\/article\/brussels-and-berlin-strike-car-engine-combustion-zero-emissions-ban-deal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.politico.eu\/article\/brussels-and-berlin-strike-car-engine-combustion-zero-emissions-ban-deal\/<\/a>)<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">REFER\u00caNCIAS<\/h2>\n\n\n\n<p>ABVE. <em>10 raz\u00f5es para a manuten\u00e7\u00e3o do carro el\u00e9trico ser mais barata<\/em>. 2021. <a href=\"https:\/\/mobilidade.estadao.com.br\/inovacao\/10-razoes-para-a-manutencao-do-carro-eletrico-ser-mais-barata\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/mobilidade.estadao.com.br\/inovacao\/10-razoes-para-a-manutencao-do-carro-eletrico-ser-mais-barata\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>ADNER, Ron. <em>Ecosystem as Structure: An Actionable Construct for Strategy.<\/em> Journal of Management \u2013 Vol 43 No.1, January 2017; 39-58 \u2013 DOI: 10.1177\/0149206316678451<\/p>\n\n\n\n<p>ALVES, Mariana de Lemos; BRAND\u00c3O, Luiz Eduardo Teixeira. <em>Autom\u00f3vel Flexfuel: Quanto vale a op\u00e7\u00e3o de escolher o Combust\u00edvel? <\/em>\u2013 XXXI Encontro da ANPAD &#8211; Rio de Janeiro, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p>ANFAVEA \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores. www.anfavea.com.br \/ Consulta 02 de agosto 2020<\/p>\n\n\n\n<p>ANFAVEA \u2013 2023. <em>Anu\u00e1rio da Ind\u00fastria Automobil\u00edstica<\/em> 2023<\/p>\n\n\n\n<p>AUTOMOTIVE BUSINESS 2022, June 17,2022 &#8211; <a href=\"https:\/\/automotivebusiness.com.br\/pt\/posts\/setor-automotivo\/investimento-montadoras-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/automotivebusiness.com.br\/pt\/posts\/setor-automotivo\/investimento-montadoras-brasil\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>AUTOMOTIVE NEWS 2021, November 10, 2021<\/p>\n\n\n\n<p>BARASSA, Edgar, CONSONI Flavia L. <em>O renascimento dos ve\u00edculos el\u00e9tricos: trajet\u00f3ria e tend\u00eancias atuais<\/em> \u2013 Com Ci\u00eancia &#8211; SBPC \u2013 Revista Eletr\u00f4nica de Jornalismo Cient\u00edfico. 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>BOSTON CONSULTING GROUP \u2013 2020 \u2013 Who Will Drive Electric Cars to the Tipping Point?<\/p>\n\n\n\n<p>DIEESE. <em>Desenvolvimento e estrutura da ind\u00fastria automotiva no Brasil<\/em> &#8211; Nota T\u00e9cnica N\u00famero 152 \u2013 dezembro de 2015.<\/p>\n\n\n\n<p>FREYSSENET, M. <em>Three possible scenarios for cleaner automobiles, International Journal of Automobile Technology and Management<\/em>, issue n\u00b04, 2011. Digital publication, freyssenet.com, 2013, 217 Ko, ISSN 7116-0941. CNRS, GERPISA<\/p>\n\n\n\n<p>GOV.BR &#8211; <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/noticias\/energia-minerais-e-combustiveis\/2021\/08\/energia-renovavel-chega-a-quase-50-da-matriz-eletrica-brasileira-1\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/noticias\/energia-minerais-e-combustiveis\/2021\/08\/energia-renovavel-chega-a-quase-50-da-matriz-eletrica-brasileira-1<\/a> &#8211; consulta 20-07-2023<\/p>\n\n\n\n<p>GREEUW, Sandra C.H. et al. <em>Cloudy crystal balls: An Assessment of recent European and global scenario studies and models<\/em>, Environmental issues series no. 17, European Environment Agency \u2013 Office for Official Publications of the European Community, Luxembourg, 2000<\/p>\n\n\n\n<p>IEA \u2013 International Energy Agency (2018) Global EV Outlook 2018<\/p>\n\n\n\n<p>IEA \u2013 International Energy Agency (2019) Global EV Outlook 2019<\/p>\n\n\n\n<p>IEA \u2013 International Energy Agency (2020) Global EV Outlook 2020<\/p>\n\n\n\n<p>IEA \u2013 International Energy Agency (2022) Global EV Outlook 2022<\/p>\n\n\n\n<p>IEA \u2013 International Energy Agency (2022) Global EV Outlook 2023<\/p>\n\n\n\n<p>KOSOW, Hannah, GASSNER, Robert. <em>Methods of future and scenario analysis: overview, assessment, and selection criteria<\/em>. DIE Research Project \u201cDevelopment Policy: Questions for the Future\u201d. \u2013 Bonn: Dt. Inst. f\u00fcr Entwicklungspolitik, 2008<\/p>\n\n\n\n<p>KPMG International \u2013 <em>Mobility 2030: Transforming the Mobility Landscape How consumers and businesses can seize the benefits of the mobility revolution<\/em>. 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCIAL, Elaine C. &amp; Costa A.J.L. <em>O uso de cen\u00e1rios prospectivos na estrat\u00e9gia empresarial: Vid\u00eancia especulativa ou Intelig\u00eancia Competitiva<\/em>.Anais do 25\u00ba Encontro da ANPAD Campinas, setembro de 2001.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCIAL, Elaine Coutinho. <em>Cen\u00e1rios Prospectivos<\/em>. Escola Nacional de Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica ENAP \u2013 DFP \u2013 Coordena\u00e7\u00e3o da Forma\u00e7\u00e3o de Carreiras. Bras\u00edlia, maio de 2005.<\/p>\n\n\n\n<p>MARCIAL, Elaine Coutinho; GRUMBACH, Raul Jos\u00e9 dos Santos. <em>Cen\u00e1rios <\/em><em>prospectivos: como construir um futuro melhor<\/em>. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2002 Adobe Digital Editora 1a. edi\u00e7\u00e3o digital 2011.<\/p>\n\n\n\n<p>MINIST\u00c9RIO DA INFRAESTRUTURA, DENTRAN \u2013 Departamento Nacional de Tr\u00e2nsito, RENAVAM \u2013 <em>Registro Nacional de Ve\u00edculos Automotores anos 2011 a 2022<\/em> &#8211; <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/infraestrutura\/pt-br\/assuntos\/transito\/conteudo-Senatran\/frota-de-veiculos-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.gov.br\/infraestrutura\/pt-br\/assuntos\/transito\/conteudo-Senatran\/frota-de-veiculos-2022<\/a>\/ Consulta 20 de julho de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>ONU \u2013 BRASIL: <a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/158058-cop26-discute-setor-de-transportes-e-propostas-para-texto-final\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>COP26 discute setor de transportes e propostas para texto final | As Na\u00e7\u00f5es Unidas no Brasil<\/em><\/a> \u2013 <a href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/158058-cop26-discute-setor-de-transportes-e-propostas-para-texto-final\">https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/158058-cop26-discute-setor-de-transportes-e-propostas-para-texto-final<\/a>\/ Consulta 20 de julho de 2023<\/p>\n\n\n\n<p>SCHWARTZ, Peter. <em>The Art of the Long View 1991<\/em> (p. 243). Crown. Edi\u00e7\u00e3o do Kindle.<\/p>\n\n\n\n<p>SCHWARTZ, Peter. <em>A Arte da Vis\u00e3o de Longo Prazo \u2013 Planejando o futuro em um mundo de incertezas<\/em>. S\u00e3o Paulo: Best Seller, 2000<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A transi\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo movido a combust\u00e3o interna (MCI) para o el\u00e9trico traz uma s\u00e9rie de desafios fundamentais para o futuro da ind\u00fastria automobil\u00edstica no pa\u00eds. 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