Um clipping sobre as iniciativas da ACBrasil e temas relevantes para a governança corporativa
Sucessão na Apple levanta questões fundamentais para a liderança
A Apple iniciou uma nova etapa do processo que definirá quem assumirá o cargo de Tim Cook no próximo ano. Pessoas que acompanham as discussões dentro da companhia afirmam que o conselho e executivos de alto escalão intensificaram os preparativos para a transição, prevista para ocorrer após mais de 14 anos de Cook no comando. Ele assumiu o cargo em 2011 sucedendo Steve Jobs, e liderou a empresa em um período de grande crescimento, diversificação de produtos (Apple Watch, AirPods, serviços) e expansão para novas categorias como Realidade Mista (Vision Pro), tornando a Appleuma das marcas mais valiosas do mundo. Uma matéria sobre a sucessão na companhia pode ser encontrada aqui:
Opinião
A importância em bem planejar a linha de sucessão
Ricardo Maltz, dos comitês de Empresas Familiares de Start Ups de Cultura e Pessoas; e de Inovação e Inteligência Artificial.
A matéria “Plano de sucessão de Tim Cook na Apple continua incerto com aposentadoria do diretor de operações” é um convite para pensar planejamento sucessório, especialmente quando se trata de empresas familiares.
Voltarei na abordagem de empresas familiares.
A Apple atingiu em 2025, pela primeira vez, valor de mercado de U$ 4 trilhões, tem cerca de 164.000 funcionários em tempo integral e aproximadamente 15 bilhões de ações em circulação, porém faz programas de recompra desde 2013. Vanguard Group, Black Rock, Berkshire Hathaway e Tim Cook aparecem como principais investidores.
Alguém tem qualquer dúvida sobre a linha de sucessão da monarquia inglesa? Imaginando um cenário pouco provável, mas ainda assim possível, rei Charles III e príncipe de Gales William vêm a óbito em um acidente fatal. Príncipe George, filho mais velho de William, é o próximo na linha sucessória. A informação é pública, ao alcance de todos e não suscita questionamentos. Se a monarquia tivesse ações em bolsa, não haveria razão para o mercado temer qualquer ruído em sua continuidade, pelo menos com origem neste quesito.
A matéria sobre a Apple sugere um processo sucessório sem muitas certezas e amarras, com várias possibilidades em aberto. Pior: segundo a matéria, um CEO (portando quantidade expressiva de ações e alvo de conflito de agência) sem sinalizar saída. E estamos falando de U$ 4 trilhões, cerca de 164.000 funcionários em tempo integral e aproximadamente 15 bilhões de ações em circulação. Se bater insegurança no mercado, não é marola, é tsunami. E as dúvidas não respondidas aos 164.000 funcionários.
Acontecimentos como este, da Apple, são emblemáticos. Nós, seres humanos à frente de empresas, temos o hábito de colocar a ameaça de descontinuidade de qualquer cenário embaixo do tapete. Nunca vai acontecer e não há razão para planejarmos a sucessão em diferentes cenários. Deixa para a próxima segunda-feira.
Em empresas familiares no Brasil, o cenário não é diferente e os danos podem ser imensos se a sucessão não for planejada adequadamente e considerando possíveis diferentes cenários. Cerca de 90% das empresas no Brasil são familiares, nove entre dez empresas, segundo o IBGE, tem perfil familiar, em números somam 18 milhões de empresas, geram aproximadamente 60% do PIB nacional e 75 % dos empregos privados. Ainda assim apenas 30% chegam à segunda geração e 12% à terceira, devido a desafios como sucessão.
Planejar a linha de sucessão, considerando os prováveis cenários, com diferentes alternativas e planos (se falha o A, tem o B, se falha o B, tem o C), é oportunizar a continuidade das empresas. A clareza na comunicação aos stakeholders é sinônimo de segurança no que vem pela frente. Esta clareza sinaliza a equipe controle e domínio, ingrediente muito importante para evitar marolas que podem se transformar em tsunamis.
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As opiniões dos articulistas não refletem, necessariamente,
a posição da ACBrasil a respeito dos temas abordados.
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Economia & Negócios
O que vem por aí
Marcelo Fonseca, associado da ACBrasil
A economia brasileira patinou em 2025 e continuará patinando em 2026. Na verdade, o retrospecto não é digno de elogio, os anos em que crescemos de forma mais expressiva acabam por demonstrar que o crescimento foi artificial e insustentável. Será uma sina? Não, nada determinístico ou obra do destino, se trata apenas de não conseguir criar os incentivos e condições necessárias ao crescimento da produtividade e de aplicar de forma minimamente eficiente os recursos extraídos da sociedade via impostos.
Teremos eleições majoritárias em 2026, e como sabemos o governo “fará o diabo” para não perder as eleições. Ocorre que o ciclo eleitoral impacta a economia por conta dos gastos que o governo faz para obter ganhos eleitoreiros. Esses gastos já estão no retrovisor do Banco Central que olhará atentamente para os programas de transferência de renda e crédito subsidiado. Esses programas, e o desequilíbrio das contas públicas, podem solapar o ciclo de queda da taxa Selic tão aguardado para o ano que vem.
Taxa de juros, inflação, déficit, dólar…é chato, mas temos que falar
Para o ano que se avizinha as previsões não são alvissareiras. Apesar da expectativa do início de queda da Selic a taxa terminal em dezembro de 2026 aponta para 12%, ainda um número muito alto para uma economia que não consegue tração para crescer. A inflação de 2026 deverá seguir acima do centro da meta de 3% ao ano. O BC terá que entregar a inflação acima da meta, mas dentro do intervalo de tolerância de 1,5% para cima. A conferir como se comportará o BC de Galípolo em ano eleitoral.
O governo deve entregar o déficit fiscal dentro da tolerância permitida pelo arcabouço fiscal (0,25% do PIB), mas não sem excluir despesas do cálculo. Enfim, o arcabouço não é crível e não serviu como ferramenta para reduzir a relação dívida-PIB. Lembrando que ano que vem a meta é de superávit primário de 0,25% do PIB, algo pouco provável que ocorra sem a exclusão de despesas do cálculo. Falta seriedade a um assunto fundamental para o presente e para as próximas gerações.
Falar sobre câmbio é a receita para errar, mas vamos lá. Com a taxa de juros estratosférica o movimento que fortaleceu o Real deve continuar, pois a diferença entre as taxas locais e globais aumenta a entrada de divisas buscando ganhos em aplicações em Reais. Essa apreciação pode ajudar na inflação, mas não tem força para compensar os gastos do governo que aquecem o consumo.
Mais do mesmo?
Passado o impacto do tarifaço de Trump, e salvo se ocorrer algum conflito geopolítico de maior importância, 2026 deve seguir o marasmo de 2025 na economia. O ano promete diversão com os debates eleitorais (não podemos nos esquecer da última eleição para prefeito na cidade de São Paulo), e tem copa do mundo.
O resultado das eleições deixará claro se seguiremos na marcha da insustentabilidade fiscal ou se um novo governo enfrentará os grupos de interesse e os privilégios. Pouco provável.
E não esqueçamos que a reforma tributária entrará em vigência.
Falei em marasmo? Estava errado. Será um ano de grandes emoções.
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A maioria das vagas de conselheiros é preenchida através de networking.
Na ACBrasil você pode criar e fortalecer contatos e parcerias.
Fale com a gente: contato@acbrasil.org.br
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Iniciativas
Eleições na ACBrasil
Na última sexta-feira ocorreu a eleição para o Conselho de Administração da ACBrasil. A nova composição é a seguinte:
José Lima Neto
Leandro Farha
Lia Pullen Parente
Ricardo Maltz
Rogério Medeiros
Em breve os novos conselheiros vão se reunir para eleger o presidente e o vice. Para o Conselho Fiscal foram eleitos:
Adriano Faria
Marco Antônio Ercolin
Milton Alves
Eles tomarão posse dia 1 de janeiro de 26 e o mandato vai até 31 de dezembro de 2027. A eleição ocorreu dentro do espírito de boas práticas de governança, pilar central do conjunto de valores da ACBrasil.
Comitês
A ACBrasil chega ao fim de 2025 com X comitês em operação. Todos os associados podem participar de qualquer grupo de trabalho. Participe você também? Atualmente os comitês são os seguintes:
– Cultura e Pessoas; Inovação e IA;
– Empresas Familiares
– Finanças
– Riscos e Compliance
– Saúde
– Staratups e Scaleups
– Sustentabilidade
Outros comitês estão sendo gestados para começar em 2026.AS lideranças da associação conclamam a participação e a inciativas dos associados, que foram muito ativos em 2025.
Agenda 2026
O planejamento de atividades da ACBrasil já definiu itens para a pauta de trabalho da associação no próximo ano. Confira alguns deles:
– A realização do I Congresso Internacional da ACBrasil
– Planejamento estratégico com o Conselho de Administração
– Prosseguimento das visitas técnicas
– Manutenção dos Happy Hours mensais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas. Outros estados também deverão participar.
– Criação de parcerias internacionais
– Primeira edição da formação de conselheiros em parceria com a universidade Mackenzie
– Lançamento do terceiro livro colaborativo
Vagas em Conselhos
O atual Conselho Administrativo da ACBrasil dá as boas-vindas aos seus sucessores. E, ao fim de suas atividades, eles também têm o reconhecimento e o agradecimento dos associados pela condução dos interesses da ABrasil nos últimos dois anos. São eles:
Presidente: Márcio Waldman
Vice-presidente: Rogério Medeiros
Conselheiros: Alexandre Reis e Sérgio Araújo
Conselheiros fiscais:
André Aroldo Freitas de Moura
Henrique Tenenbaum
Milton Alves
Adriano Farias (suplente)
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Por um feliz Natal e um 2026 pleno de sucesso
A ACBrasil congratula-se com seus associados neste fim de ano, com os melhores votos de um Natal de paz e um ano novo de prosperidade, sempre almejando novas iniciativas para a difusão de nossos valores quanto à governança e o papel dos conselheiros.
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A newsletter da ACBrasil voltará a ser distribuída no dia 12 de janeiro. Até lá!
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ACBrasil
Pela integridade na governança
A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.


