Newsletter – ACBrasil
Nº 126 – 17 de julho de 2026
Olá! Esta é a suanewsletterda ACBrasil
Um clipping sobre as iniciativas da ACBrasil e temas relevantes para a governança corporativa
Governança “raiz”: a trajetória de uma herdeira e seus ensinamentos
A trajetória de uma herdeira na empresa da família aponta um caminho de aprendizado e sucesso: ela começou a trabalhar aos 15 anos e, desde então, passou por todos os departamentos da organização. “Na prática, foi uma governança ‘raiz’, com a família reunida e organizando o legado desta instituição, que é muito maior que nós mesmos. A família está a serviço da instituição, e não o inverso”, ela avalia. Seu depoimento, trazendo alguns dos ensinamentos obtidos ao longo de sua carreira na empresa familiar, pode ser lido em um artigo publicado aqui:
Opinião
Empresa familiar: coração quente, cabeça fria e o chapéu certo
Eduardo Najjar, da Comissão de Empresas Familiares
https://www.linkedin.com/in/eduardo-najjar-79b2a990/
A reportagem sobre empresas familiares traz uma reflexão muito importante para todos nós que vivemos, estudamos ou acompanhamos esse universo: uma empresa familiar não é apenas uma empresa que pertence a uma família. Ela é, antes de tudo, um sistema vivo, onde afeto, legado, patrimônio, trabalho, poder, identidade e futuro convivem ao mesmo tempo.
É exatamente por isso que gosto tanto do modelo dos Três Círculos, desenvolvido por John Davis e Renato Tagiuri. Ele nos ajuda a enxergar que, em uma família empresária, existem três dimensões que se cruzam o tempo todo: família, propriedade e gestão.
O grande desafio é que muitas vezes a mesma pessoa ocupa mais de um lugar nesses círculos. Pode ser filho, irmão, acionista, sucessor, executivo, conselheiro ou herdeiro, e às vezes tudo isso ao mesmo tempo. E, se não houver clareza, esses papéis se confundem. Uma conversa de família vira discussão de sócios. Uma decisão empresarial vira assunto emocional. Uma divergência de gestão vira mágoa pessoal.
Como sucessor de uma família empresária, vivi esse aprendizado na prática. Aprender a “vestir o chapéu certo no lugar certo” talvez seja uma das competências mais difíceis e mais necessárias nesse ambiente. No papel de família, preciso preservar vínculo, história, respeito e pertencimento. No papel de sócio, preciso olhar patrimônio, risco, retorno, liquidez e continuidade. No papel executivo ou de gestão, preciso lidar com metas, pessoas, operação, estratégia e resultado.
Mas há um ponto essencial: não adianta apenas um membro da família aprender a fazer isso sozinho. A família empresária precisa desenvolver uma linguagem comum sobre seus papéis. Todos precisam compreender em qual fórum estão, qual chapéu estão usando e qual tipo de decisão está sendo tomada.
Esse é o salto de maturidade: deixar de ser apenas uma “empresa da família” para se tornar uma verdadeira família empresária.
A empresa da família olha principalmente para o negócio atual. A família empresária olha para o sistema como um todo: a empresa, o patrimônio, os talentos da próxima geração, a governança, a unidade familiar, os valores e a capacidade de construir futuro juntos.
Por isso, a frase da reportagem é tão precisa: empresa familiar precisa de coração quente e cabeça fria. Coração quente para honrar a história, cuidar das relações, reconhecer o legado e preservar os vínculos. Cabeça fria para tomar decisões difíceis, separar papéis, profissionalizar a gestão, estruturar a governança e pensar no longo prazo.
No fim, a longevidade de uma família empresária não depende apenas da força do negócio. Depende da capacidade da família de conversar melhor, decidir melhor e amadurecer junto.
E talvez esse seja um dos maiores aprendizados da sucessão: herdar uma empresa é uma responsabilidade. Mas construir uma família empresária é uma escolha coletiva..
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Tecnologia & Inovação
Eficiência, dados e cliente: os três gatilhos da transformação digital
Conteúdo produzido pela Comissão de Inovação, Transformação Digital, IA e Dados da ACBrasil
Pílula de letramento
Grande parte das iniciativas de transformação digital nasce de três dores recorrentes nas organizações:
- Eficiência operacional: processos manuais, retrabalho e falta de padronização consomem tempo e aumentam a probabilidade de erro.
- Visibilidade e qualidade das informações: dados espalhados em planilhas, sistemas isolados ou relatórios pouco confiáveis prejudicam a tomada de decisão.
- Relacionamento com clientes e velocidade de resposta: atendimento lento, dificuldade para acompanhar oportunidades comerciais e incapacidade de escalar interações indicam processos que precisam ser redesenhados.
Para o conselho, o ponto central não é a tecnologia em si, mas a coerência entre a dor identificada, a solução proposta e o valor que se espera gerar para o negócio.
Provocação para o board
O conselho tem acesso a informação de qualidade suficiente para avaliar a transformação digital ou depende exclusivamente da narrativa da gestão?
Por que essa pergunta é importante?
Sem informações confiáveis, integradas e auditáveis, o conselho pode avaliar iniciativas, riscos e resultados com base em percepções ou apresentações, mas sem evidências suficientes. A transformação digital deve aumentar a capacidade de leitura do negócio, e não apenas gerar mais dados.
Palavra do especialista
Transformação digital não é sinônimo de aquisição de tecnologia. Ela exige identificar onde a empresa perde eficiência, onde faltam informações confiáveis e onde a experiência do cliente está comprometida. A partir desse diagnóstico, a organização pode priorizar soluções e indicadores que demonstrem impacto real.
Glossário / repertório
Inteligência analítica
Capacidade de transformar dados em informação útil para leitura do negócio e apoio à decisão.
Pergunta para a diretoria
A priorização das iniciativas digitais é feita com base em critérios de impacto no negócio e viabilidade de execução? Estamos medindo o retorno destas iniciativas?
Sustentabilidade
As altas temperaturas no Hemisfério Norte, em especial na Europa, e o alerta quer nos trazem.
Alípio Carlos Tavares Labão, coordenador da Comissão de Sustentabilidade da ACBrasil
https://www.linkedin.com/in/al%C3%ADpio-lab%C3%A3o-1aa3a411/
Cumes de calor persistentes e ventos de corrente de jato estão prendendo o ar escaldante e recorde sobre o continente europeu. A Europa é o continente que mais se aquece no mundo. Esse rápido aquecimento é impulsionado pelas mudanças climáticas, pelo derretimento do Ártico, pelas temperaturas mais quentes dos oceanos e pela redução não intencional dos poluentes do ar de resfriamento.
Neste verão, a Europa já experimentou várias grandes ondas de calor, empurrando temperaturas acima de 41°C em países como Alemanha e França. Os principais impulsionadores para este clima extremo incluem:
- Cumes de calor vindos do norte da África Saariana
- Ventos frios sobre o Atlântico que atravessavam a Europa estão sendo interrompidos
- Proximidade com o Ártico, a região que mais aquece no planeta
- O paradoxo da melhora da poluição do ar que permite maior passagem da luz do Sol
- As mudanças climáticas em si, causadas principalmente pela liberação na atmosfera de GEEE pelo uso de matrizes energéticas não renováveis e extremamente poluentes
Portanto, o continente, como todas as demais regiões da Terra, parece se conscientizar cada vez mais da importância de se combater o aumento da temperatura global. É uma realidade incontestável. Deixar “de acreditar” no falso dilema que se deva crescer economicamente ou ser mais sustentável. Quanto mais sustentável mais perene será sua economia.
O impacto na agricultura europeia é severo. Dados recentes do EuropeanInvestment Bank indicam que o aquecimento do clima na Europa causa graves perdas agrícolas, com uma média de mais de € 28 bilhões neste ano, projetando atingir € 40 bilhões até 2050. O calor extremo e a seca danificam severamente os rendimentos das principais culturas, como milho e trigo, e o setor pecuário sofre com efeitos em cascata, como a redução da produção de leite.
Que este alerta na Europa nos traz para nosso país, uma vez que nosso setor primário é o principal polo exportador? No Brasil empresas de monitoramento do clima preveem um prolongado tempo severo a partir de meados de julho, começando pelo sul do país. Rio Grande do Sul e Paraná estão entre os principais estados produtores agrícolas do Brasil, sendo que na pecuária de suínos e aves, os três estados do Sul são os maiores produtores.
As tendências previstas para o agronegócio brasileiro enfatizam uma mudança necessária em direção à agricultura sustentável e de baixo carbono e à Agricultura 4.0 para combater o clima extremo, a redução das janelas de plantio e a diminuição dos rendimentos nos centros tradicionais. Estratégias de adaptação, como culturas geneticamente editadas e bioinsumos, são agora prioridades críticas para o setor, de acordo com dados de março deste ano pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo.
Agricultura 4.0 é a digitalização do setor agropecuário. Ela integra tecnologias como IoT (Internet das Coisas), Big Data & IA (Inteligência Artificial), drones e sensores para conectar máquinas e processos. Passa a ser, doravante uma agricultura de precisão. Mas por si só não é suficiente. É necessário combater o aumento da temperatura com urgência, sem falsas descrenças tampouco despreocupação com o futuro do nosso planeta.
Iniciativas
Fórum Internacional da ACBrasil
Está quase tudo pronto para o congresso internacional da ACBrasil, que acontece dia 19 de agosto, no Ibmec-SP (Alameda Santos). Os participantes poderão acompanhar painéis que vão tratar de temas relevantes e atualizados sobre o papel dos conselhos – como inovação e IA nas organizações. E, além disso, acompanhar a apresentação de degustação dos produtos, serviços e marcas dos patrocinadores. Ainda há cotas de patrocínio – os interessados podem contactar Isa Degaspari, diretora de Eventos e Parcerias (idegaspari02@gmail.com )
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Associado:
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Não associado:
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A próxima edição do livro da ACBrasil
Já começou o planejamento da próxima edição do livro anual da ACBrasil. O organizador, Samuel de Jesus Monteiro de Barros, convoca potenciais colaboradores:
“E começamos a escrever nosso livro sobre governança para PMEs e precisamos de coautores. Não estamos procurando quem escreva bem sobre teoria; queremos você, quem tenha uma boa história para contar. Aquele caso que ficou na sua cabeça, aquela reunião que virou, a decisão que ninguém queria tomar, o conselho que salvou (ou não conseguiu salvar) a empresa. É exatamente isso que vai fazer esse livro útil de verdade. A estrutura já está pronta, o brief também, com extensão definida (entre 2.000 e 3.000 palavras por capítulo) e liberdade para escolher se identifica ou anonimiza o caso. O livro deverá se chamar “Conselho que Funciona: Governança Real para PMEs Brasileiras”. A ideia é juntar conselheiros que viveram governança de verdade e transformar essas experiências em algo que outros possam aprender. Se você tem um caso na gaveta e quer contribuir com algo que vai durar mais do que uma palestra, me manda uma mensagem para sambarros@gmail.com ou um whatsapp para (21) 99846-1727. Espero contato com o apoio de todos para escrevermos mais um importante capítulo da história da governança no Brasil”.
Dica de leitura
O poder e amente empresarial
Utilizando estudos de casos que abrangem desde grandes organizações às pequenas empresas familiares; desde a burocracia governamental às entidades não-lucrativas, a obra examina o efeito crucial que a personalidade do executivo-chefe exerce sobre as organizações e a sociedade. Os autores elaboram uma nova teoria da psicologia da administração, fundindo três tipos de análise que até agora permaneciam independentes: a interpretação freudiana do desenvolvimento e motivação humanos; os conceitos de poder, autoridade e influência do cientista político; e o tradicional interesse do teórico da administração por métodos de tomada de decisão e alocação de recursos. No centro da interpretação dos autores encontra-se o executivo, o homem que tem o poder de escolha, mas que é coagido de um lado pelas realidades do mundo exterior e, do outro, por motivações conscientes e inconscientes.
O poder e amente empresarial. Zaleznike De Vries. Biblioteca Pioneira, 2019.
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ACBrasil
Pela integridade na governança
A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.


