Nesta edição:
Opinião: Empresa, família e as soluções no diálogo intergeracional, por Eduardo Najjar.
Economia & Negócios: Copom reduz a Selic em meio às incertezas inflacionárias e amplia atenção ao comportamento da atividade econômica, por Marcelo Fonseca.
Tecnologia & Inovação: Quando a promessa de Inteligência Artificial vira processo judicial: você já ouviu falar em AI Washing?, por Samuel de Jesus Monteiro de Barros.
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Um clipping sobre as iniciativas da ACBrasil e temas relevantes para a governança corporativa
Conflitos na empresa familiar: como separar o pessoal do profissional?
Trabalhar em uma empresa familiar “exige muito mais que competência técnica ou visão de negócio. É quase uma pós-graduação involuntária nas complexidades da psicologia familiar”: a psicóloga Mariana Clark avalia que conflitos acontecem em qualquer organização, mas, nas empresas familiares, eles frequentemente vão muito além do âmbito dos negócios. Segundo ela, diferenças incontornáveis levantam o questionamento: “permanecer na empresa é um projeto de futuro ou uma tentativa de preservar o passado?”. Mariana é especializada em saúde mental, perdas e luto no contexto organizacional: saiba mais sobre suas opiniões no artigo “Como separar o profissional do pessoal na empresa da família?”, que pode ser acessado aqui:
Opinião
Empresa, família e as soluções no diálogo intergeracional
Eduardo Najar, da Comissão de Empresas Familiares
https://www.linkedin.com/in/eduardo-najjar-79b2a990/
A convivência entre familiares que atuam juntos na gestão da empresa da família é uma das experiências mais ricas e, ao mesmo tempo, mais desafiadoras do universo empresarial. Diferentemente das organizações tradicionais, onde as relações são predominantemente profissionais, nas empresas familiares os vínculos afetivos acompanham as decisões estratégicas, criando um ambiente onde razão e emoção convivem diariamente.
Um dos exemplos mais comuns ocorre quando pai e filh(o)a ocupam posições de liderança dentro da organização. O pai muitas vezes fundador ou sucessor da geração anterior, carrega consigo décadas de experiência, sacrifícios e conquistas. O(a) filho(a) por sua vez, chega à gestão trazendo formação acadêmica atualizada, novas perspectivas de mercado e o desejo legítimo de contribuir para a evolução do negócio.
Nesse cenário é natural que surjam divergências. O que para o pai pode representar prudência e proteção do patrimônio familiar, para o(a) filho(a) pode significar resistência à mudança. Da mesma forma, o que o(a) filho(a) enxerga como inovação e oportunidade, o pai pode interpretar como risco desnecessário. Quando ambos possuem convicções fortes, os conflitos tendem a ultrapassar os limites da discussão técnica e atingir dimensões emocionais.
A situação torna-se ainda mais delicada quando o pai é o superior imediato. Muitas vezes uma discordância profissional pode ser interpretada como desrespeito ou contestação da autoridade paterna. Por outro lado, o(a) filho(a) pode sentir que suas opiniões são avaliadas não apenas por seu mérito técnico, mas também pela relação familiar existente. A fronteira entre o papel de pai e o papel de gestor nem sempre é clara, gerando tensões que afetam tanto o ambiente de trabalho quanto a convivência familiar.
As tomadas de decisão revelam de forma intensa esse desafio. Quando pai e filho(a) possuem pontos de vista diferentes, a questão central deixa de ser quem está certo e passa a ser como construir decisões de qualidade. Empresas familiares maduras compreendem que a divergência não representa ameaça, mas sim uma oportunidade para ampliar perspectivas e reduzir riscos. O debate respeitoso fortalece a gestão, enquanto a imposição unilateral de opiniões tende a enfraquecer a confiança entre as gerações.
Outro aspecto recorrente é o conflito entre tradição e inovação. A tradição representa a história, os valores e os princípios que permitiram à empresa chegar até onde está. A inovação é fundamental para garantir competitividade e adaptação às novas demandas do mercado. O verdadeiro desafio está em encontrar o equilíbrio capaz de preservar a essência do negócio sem comprometer seu futuro.
Nesse processo muitos filhos enfrentam um dilema emocional silencioso: a sensação de estar sendo ingratos ao discordar das orientações dos pais. Afinal, reconhecem o esforço, a dedicação e os ensinamentos recebidos ao longo da vida. Surge então uma dúvida frequente: questionar determinadas decisões significa desvalorizar a trajetória construída pela geração anterior? Na maioria das vezes, a resposta é não. Discordar não é sinônimo de desrespeitar. Pelo contrário, pode representar o compromisso genuíno de contribuir para a continuidade e o fortalecimento da empresa.
Além dos desafios profissionais existe uma questão cada vez mais presente nas novas gerações: a preservação da saúde mental. Muitos sucessores vivem sob a pressão de corresponder às expectativas familiares, entregar resultados empresariais e simultaneamente, manter relacionamentos harmoniosos dentro e fora da empresa. Quando os conflitos se tornam frequentes, a linha que separa vida profissional e vida pessoal praticamente desaparece.
Não são raros os casos em que o(a) filho(a) começa a questionar se permanecer na empresa familiar é a melhor decisão para sua carreira e seu bem-estar. O desejo de contribuir para o legado da família passa a conviver com a necessidade de preservar sua identidade, autonomia e equilíbrio emocional. Essa reflexão não deve ser encarada como sinal de fraqueza ou falta de comprometimento, mas como uma demonstração de maturidade.
A longevidade das empresas familiares depende justamente da capacidade de criar ambientes onde diferentes gerações possam dialogar com respeito, reconhecer suas diferenças e construir soluções conjuntas. Quando pais e filhos conseguem compreender que suas divergências são naturais e até necessárias, a empresa deixa de ser um espaço de disputa entre passado e futuro e passa a ser um ambiente de cooperação entre experiência e inovação.
Em última análise o melhor encaminhamento da sucessão não depende apenas da transferência de patrimônio ou de cargos de liderança. Depende principalmente da construção de relações saudáveis em que o amor familiar não impeça o debate profissional e onde o respeito profissional fortaleça os laços familiares. É nesse equilíbrio que reside a verdadeira força das empresas familiares que atravessam gerações.
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Economia & Negócios
Marcelo Fonseca, associado da ACBrasil
Copom reduz a Selic em meio às incertezas inflacionárias e amplia atenção ao comportamento da atividade econômica
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, ocorreu em um contexto particularmente desafiador para a condução da política monetária brasileira. O processo de desinflação observado nos últimos meses permanece cercado por fatores de risco que recomendam cautela, especialmente diante da persistência de expectativas de inflação acima da meta e do aumento das incertezas no ambiente internacional.
O aspecto mais relevante da decisão não foi propriamente o corte da taxa básica de juros, mas sim o conteúdo do comunicado e da ata divulgados posteriormente pelo Banco Central. A autoridade monetária reconheceu que as projeções para a inflação continuam exigindo atenção e que o balanço de riscos permanece desafiador, refletindo tanto fatores domésticos quanto externos. Entre eles destacam-se as tensões geopolíticas, os impactos sobre os preços das commodities, a volatilidade dos mercados financeiros internacionais e a evolução das expectativas inflacionárias.
Banqueiro central tem que ser avesso à inflação
Sob essa perspectiva, a decisão do Copom pode parecer contraditória à primeira vista: reduzir juros em um ambiente de inflação ainda resistente. Entretanto, o Banco Central sinalizou que a política monetária deve buscar não apenas a convergência da inflação para a meta, mas também evitar oscilações excessivas na atividade econômica. A ata deixa claro que perseguir a meta em um horizonte mais curto exigiria movimentos mais agressivos na taxa Selic, com custos elevados para o crescimento, o investimento e o mercado de trabalho. Por essa razão, o Comitê passou a considerar um horizonte de convergência mais longo, compatível com uma trajetória mais gradual dos juros e menor volatilidade da economia.
A ampliação desse horizonte, contudo, produz efeitos que vão além da condução imediata da política monetária. Embora proporcione maior flexibilidade para calibrar os juros e reduza os custos econômicos de um ajuste excessivamente contracionista, a mudança pode influenciar a formação das expectativas dos agentes econômicos. Caso o mercado interprete que a autoridade monetária passou a tolerar uma inflação acima da meta por um período mais prolongado, existe o risco de desancoragem das expectativas, exigindo posteriormente uma atuação mais restritiva para restabelecer a credibilidade do regime de metas.
Esse ponto representa uma das mudanças mais relevantes na comunicação recente do Banco Central. Tradicionalmente, as decisões do Copom concentram-se na dinâmica da inflação e nas expectativas do mercado. Desta vez, contudo, o comunicado atribuiu também destaque ao comportamento da atividade econômica, evidenciando preocupação com os efeitos que uma política monetária excessivamente restritiva poderia produzir sobre o crescimento econômico e o emprego.
O Copom evitou fornecer orientação explícita sobre novas reduções da Selic, adotando uma postura de elevada dependência dos dados econômicos. Em termos práticos, isso significa que o Banco Central passará a ajustar suas decisões de acordo com o comportamento da inflação, da atividade econômica, do mercado de trabalho, das contas públicas e do cenário internacional. Ao reforçar essa estratégia, o Copom sinaliza que não existe um compromisso pré-definido com novas quedas da Selic, mas sim uma disposição de responder às mudanças do cenário econômico à medida que elas ocorrerem.
Tiro no pé?
A decisão do Copom pode ter revelado que a mão pesada que elevou os juros até 15% pode ter sido remédio amargo em demasia para a economia. As quedas sancionadas pelo Copom recentemente, em meio a um ambiente econômico ainda conturbado, podem refletir a busca de um teto mais baixo, daí, talvez, a menção a atividade econômica.
A conquista da credibilidade de Gabriel Galípolo, após as críticas sucessivas do Presidente Lula, que foi conquistada pelo aumento expressivo da Selic, pode ter sido um tiro no pé.
Tecnologia & Inovação
Quando a promessa de Inteligência Artificial vira
processo judicial: você já ouviu falar em AI Washing?*
Empresas americanas usaram a febre da IA para inflar resultados, atrair investidores e conquistar mercados até que reguladores, promotores e acionários resolveram cobrar a conta.
Samuel de Jesus Monteiro de Barros, associado da ACBrasil
https://www.linkedin.com/in/samuel-barros-2a846935/
Em junho de 2024, a Apple subiu ao palco da Worldwide Developers Conference para anunciar o Apple Intelligence, seria uma reinvenção radical da Siri. As ações subiram. Os analistas aplaudiram. O hype era total. Menos de um ano depois, com as funcionalidades prometidas inexistentes ou irrelevantes, acionários entraram com uma class action alegando que a empresa jamais tinha um protótipo funcional das capacidades anunciadas.
O caso da Apple não é uma anomalia. É a ponta de um iceberg que vem acertando navios corporativos em série. Ao longo dos últimos anos, uma prática que os americanos batizaram de AI washing (o equivalente digital do greenwashing) tornou-se o principal vetor de litígio em valores mobiliários nos EUA. O Cornerstone Research, em seu relatório anual divulgado em janeiro de 2026, confirmou 16 processos de AI washing no ano fechado de 2025, novo recorde histórico. E o dado mais revelador é que esses 16 casos representaram apenas 8% do total de class actions ajuizadas no período, mas foram responsáveis por 57% do Maximum Dollar Loss Index, o índice que mede a exposição máxima das empresas processadas.
Mas o que é “AI Washing” e Por que funciona?
O termo greenwashing já está bem assimilado no vocabulário corporativo, que é a prática de exagerar credenciais ambientais para atrair consumidores ou investidores. O AI washing segue a mesma lógica, mas num contexto de hype tecnológico inédito. Desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, a palavra “IA” adquiriu um poder quase mágico nos mercados.
O relatório da Secretariat Consulting (fevereiro de 2026), que analisou todos os 51 casos com alegações específicas de IA ajuizados entre 2020 e 2025, identificou três temas centrais: (1) AI washing com presença em 65% dos casos; (2) omissão de riscos ou limitações da IA com cerca de 35% dos casos; e (3) falhas operacionais de algoritmos de IA em 12% dos casos.
Segundo o Joseph Grunfest, professor da Stanford Law School e Ex-comissãrio da SEC, o AI washing é o principal fenômeno por trás do aumento das ações coletivas de valores mobiliários relacionadas à IA, onde empresas exageram, distorcem ou falsificam a extensão de suas capacidades para investidores e o público.
Para exemplificar a frase do professor Grunfest, nada melhor que apresentar dados, fatos e número, e eles são preocupantes.
O Cornerstone Research publicou em 28 de janeiro de 2026 seu relatório anual com 16 casos de AI washing que foram ajuizados em 2025, ligeiro aumento sobre os 15 de 2024, mas com uma assimetria reveladora, onde 12 dos 16 casos (75%) foram concentrados no primeiro semestre. O ritmo desacelerou no segundo semestre, possivelmente refletindo maior cautela das empresas após os primeiros grandes acordos e o indiciamento criminal de Saniger em abril de 2025.
A Secretariat Consulting, em relatório independente de fevereiro de 2026, mapeou 51 class actions com alegações específicas de IA entre 2020 e 2025, usando metodologia mais rigorosa que o SCAC, excluindo casos sem alegações diretamente relacionadas à tecnologia. Segundo esse levantamento, 16 casos foram ajuizados apenas em 2025, novo recorde anual da série histórica.
O dado mais impactante do relatório anual do Cornerstone Research é que embora os processos relacionados à IA representassem apenas 8% do total de class actions ajuizadas em 2025, foram responsáveis por 57% do Maximum Dollar Loss Index do ano e por 44% do Market Cap Index do setor de tecnologia. Isso tende a confirmar que o AI washing está deixando de ser um fenômeno de startups fraudulentas para talvez se tornar um risco sistêmico de grandes empresas.

Fontes: Elaborado pelo autor com dados de Cornerstone Research — Securities Class Action Filings 2025 Year in Review (jan. 2026); Secretariat — Trends in AI-Related Securities Class Actions Through 2025 (fev. 2026) – (2026)
AI Washing vs. Greenwashing: Uma Comparação Reveladora
O greenwashing, o predecessor histórico do AI washing, levou mais de uma década para atingir o volume de litígios que a versão tecnológica alcançou em apenas 5 anos. De acordo com a TINA.org, que rastreia processos de greenwashing nos EUA desde 2015, as ações relacionadas a alegações ambientais enganosas foram de 7 em 2019 para 27 em 2021, crescimento impulsionado pela onda ESG. O pico norte-americano ocorreu em 2022, seguido de declínio de 10% em 2023 (RepRisk).
O AI washing, por contraste, partiu do zero em 2020 e atingiu 16 casos em 2025, uma curva de ascensão muito mais rápida. Isso pode refletir a velocidade com que o hype sobre IA generativa se transformou em expectativas de investidores, e a agilidade com que escritórios de advocacia especializados em class actions desenvolveram o que a Secretariat chamou de “AI playbook”, combinando peritos técnicos com as teorias clássicas de fraude em valores mobiliários.
Há uma diferença estrutural importante entre os dois fenômenos é que o greenwashing atinge majoritariamente o consumidor final (propaganda enganosa sobre produtos), enquanto o AI washing se concentra no mercado de capitais (declarações materialmente falsas a investidores). Isso explica por que o AI washing envolve valores em jogo muito maiores e porque até o DOJ entrou em campo.
Vale pontuar que a doutrina jurídica do AI washing está sendo moldada caso a caso. Segundo a Secretariat, até dezembro de 2025, todos os nove casos com decisões dispositórias entre 2023 e meados de 2025 resultaram em dismissal, o que sinaliza que as cortes estão aplicando o mesmo padrão rigoroso das fraudes tradicionais em valores mobiliários. Ainda assim, os casos mais recentes e de maior perfil seguem em andamento.
Listo aqui casos relevantes, ou minimamente interessantes, de AI Washing que ocorreram nesse período para elucidar o apresentado.
- Nate Inc. — A IA que eram trabalhadores no exterior: Em 9 de abril de 2025, DOJ e SEC anunciaram ações paralelas contra Albert Saniger, fundador e ex-CEO da Nate Inc. A empresa prometia completar compras online com IA. Na prática, trabalhadores nas Filipinas e na Romênia processavam tudo manualmente. Saniger captou mais de US$ 42 milhões com essas representações entre 2019 e 2022. Primeiro caso criminal de AI washing do governo Trump. DOJ + SEC em ação paralela. Tem pena potencial até 40 anos de prisão.
- Apple Inc. — O Apple Intelligence que não existia: Tucker v. Apple Inc. et al (NDCA, No. 25-05197, jun. 2025), neste caso, os acionistas alegam que a Apple não possuía protótipo funcional das funcionalidades de IA promovidas na WWDC de 2024. Quando a realidade das entregas foi revelada, o papel desvalorizou significativamente. Processo em andamento. Considerado atualmente o maior perfil entre os casos de AI washing pela importância da empresa e pelos danos levados ao mercado.
- ai — Adoção e desempenho distorcidos: Ocorrido em agosto de 2025, onde os acionistas alegam que a C3.ai induziu investidores a erro sobre a adoção real de sua plataforma, com earnings calls que superestimaram sistematicamente demanda e crescimento.
- Delphia & Global Predictions — Os primeiros alvos da SEC: a SEC inaugurou, em Março de 2024, o enforcement de AI washing acusando duas gestoras que afirmavam usar IA sofisticada para investimentos. a Global Predictions se promovia como “o primeiro consultor financeiro regulado com IA”. Como resultado, houve um acordo com multas aplicadas de US$ 225 mil para a Delphia e US$ 175 mil para a Global Predictions, com intuito de encerrar o processo.
- AppLovin — AXON 2.0 e as promessas de IA em publicidade: class action, em março de 2025, no NDCA alega que a AppLovin exagerou as capacidades de sua plataforma de publicidade AXON 2.0, descrita como powered by “cutting-edge AI technologies.” Após relatório de short-seller em fevereiro de 2025 apontando práticas manipulativas, as ações despencaram.
Como pode ser visto, os contextos são diversos, mas sempre a com uma causa em comum, gerar expectativas além da capacidade de entrega no tempo.
Desta forma, pode-se definir o AI washing essencialmente como fraude em valores mobiliários com roupagem tecnológica. As cortes americanas têm aplicado as mesmas teorias clássicas da Section 10(b) + Rule 10b-5 (espinha dorsal das class actions), Wire Fraud para o âmbito criminal, Securities Act de 1933 Section 11 para IPOs e, no caso de consumidores, FTC Act Section 5. O False Claims Act cobre contratos com o governo federal.
Uma distinção crucial separa os casos civis dos criminais, assim, para uma class action prosperar, basta provar que as declarações eram materialmente falsas e que os investidores sofreram perdas causalmente vinculadas. Para sindicância criminal, o DOJ precisa provar intenção fraudulenta. O caso Saniger foi o primeiro a cruzar essa linha.
No início de 2025, a SEC formalizou o Cybersecurity and Emerging Technologies Unit, com AI washing explicitamente em seu escopo. Em abril de 2025, o DOJ demonstrou que não deixará apenas para a esfera civil a responsabilização. Em agosto de 2025, a FTC ajuizou queixa contra a Air AI por alegações de IA conversacional fraudulenta, com perdas estimadas de até US$ 250.000 por contratante.
Para quem até agora não entendeu o tamanho do problema, talvez trazer uma nova dimensão possa ajudar, afinal, o risco não está só no CNPJ mas também no CPF dos diretamente envolvidos.
O caso Saniger/Nate é o exemplo mais dramático, onde o fundador responde pessoalmente por dois crimes federais com pena potencial de 40 anos. Mas mesmo nos casos civis, a tendência de cortes permitirem ações diretas contra membros do C-suite com base em suas declarações pessoais em earnings calls está criando nível de exposição individual incomum. O Harvard Law School Forum on Corporate Governance destacou, em setembro de 2025, que seguradoras de D&O já estão revisando apólices para excluir cobertura de declarações sobre capacidades de IA não verificadas.
Com 16 casos no ano fechado de 2025, o AI washing passou de fenômeno emergente a risco sistêmico do mercado de capitais americano. A Skadden, em análise de janeiro de 2026, classificou o litígio de AI washing como o tema que vai moldar o contencioso corporativo nos próximos anos.
Para as empresas que genuinamente investem em IA e colhem resultados reais, o momento atual representa uma oportunidade, à medida que o mercado aprende a distinguir substância de narrativa, a credibilidade se tornará o ativo mais valioso. A era do AI washing pode estar seguindo para um fim não por reguladores benevolentes, mas pela mais eficiente das forças com a prestação de contas, o mercado!
* Originalmente publicado na edição de 12 de junho do Valor Econômico.
Iniciativas
Fórum Internacional da ACBrasil
Está quase tudo pronto para o congresso internacional da ACBrasil, que acontece dia 19 de agosto, no Ibmec-SP (Alameda Santos). Os participantes poderão acompanhar painéis que vão tratar de temas relevantes e atualizados sobre o papel dos conselhos – como inovação e IA nas organizações. E, além disso, acompanhar a apresentação de degustação dos produtos, serviços e marcas dos patrocinadores. Ainda há cotas de patrocínio – os interessados podem contactar Isa Degaspari, diretora de Eventos e Parcerias (idegaspari02@gmail.com )
Garanta sua participação com preços promocionais para associados e parceiros. Este segundo lote é válido até o dia 10. Clique em:
https://loja.infinitepay.io/acb-517/xwd6244-2o-lote—associado—3o-forum-de-gc
A próxima edição do livro da ACBrasil
Já começou o planejamento da próxima edição do livro anual da ACBrasil. O organizador, Samuel de Jesus Monteiro de Barros, convoca potenciais colaboradores:
“E começamos a escrever nosso livro sobre governança para PMEs e precisamos de coautores. Não estamos procurando quem escreva bem sobre teoria; queremos você, quem tenha uma boa história para contar. Aquele caso que ficou na sua cabeça, aquela reunião que virou, a decisão que ninguém queria tomar, o conselho que salvou (ou não conseguiu salvar) a empresa. É exatamente isso que vai fazer esse livro útil de verdade. A estrutura já está pronta, o brief também, com extensão definida (entre 2.000 e 3.000 palavras por capítulo) e liberdade para escolher se identifica ou anonimiza o caso. O livro deverá se chamar “Conselho que Funciona: Governança Real para PMEs Brasileiras”. A ideia é juntar conselheiros que viveram governança de verdade e transformar essas experiências em algo que outros possam aprender. Se você tem um caso na gaveta e quer contribuir com algo que vai durar mais do que uma palestra, me manda uma mensagem para sambarros@gmail.com ou um whatsapp para (21) 99846-1727. Espero contato com o apoio de todos para escrevermos mais um importante capítulo da história da governança no Brasil”.
ACBrasil presente em evento da AIDA Brasil
No dia 23, a ACBrasil participou da última reunião do Grupo Nacional de Trabalho de Saúde Suplementar da AIDA Brasil (Associação Internacional de Direito de Seguro): os associados Rogério Medeiros e Carlos Alberto Ercolin(presidente da ACBrasil) estiveram no encontro, ocorrido em São Paulo, no qual se debateu sobre o tema “O futuro da Saúde não será hospitalar. Será preditivo: governança, IA e gestão de riscos na Saúde Suplementar”. Medeiros e Ercolin participaram como expositores, junto à presidente e ao vice presidente da instituição.
Datas
4 de julho, Dia Internacional do Cooperativismo
Ocooperativismo é um modelo que une eficiência econômica e impacto social. Esse sistema traz lições vitais de resiliência baseadas no stakeholder value e em práticas de sustentablidade. Com mais de 3 milhões de cooperativas no mundo e 25 milhões de cooperados no país, o setor destaca-se pela gestão democrática. Refletir sobre essa governança focada nas pessoas fortalece a visão estratégica necessária para guiar conselhos rumo a um futuro mais perene e colaborativo.
ACBrasil
Pela integridade na governança
A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.


