Nesta edição:
Opinião: Sustentabilidade também é humana e organizacional, por Tânia Zambelli.
Tecnologia & Inovação: Inovação & IA para conselheiros: tecnologia começa pela dor do negócio, por Lia Pullen Parente.
Olá! Esta é a suanewsletterda ACBrasil
Um clipping sobre as iniciativas da ACBrasil e temas relevantes para a governança corporativa
Velho ou jovem demais? Algumas reflexões
sobre o etarismo no mundo corporativo
No Brasil corporativo, há uma cultura em que idade vira atalho.Em vez de avaliar a competência da pessoa diante de si, o interlocutor brasileiro mediano olha para o calendário e decide. “Velho demais? Não pode mais. Jovem demais? Ainda não pode”. A efetiva competência, nestes termos, é o que menos importa. O fenômeno gera reflexões sobre como a idade de um profissional pode ser um critério que se antecipa aos demais, em uma eventual avaliação. “Alguém, em algum lugar, decidiu que ainda não chegou a sua hora ou que ela já passou”. Etarismo? Confira essas reflexões no artigo abaixo:
https://braziljournal.com/opiniao-velho-nao-pode-mais-jovem-ainda-nao-pode/
Opinião
Sustentabilidade também é humana e organizacional
Tânia Zambelli, da Comissão de Cultura e Pessoas da ACBrasil
https://www.linkedin.com/in/taniazambelli/
Ao ler esse artigo me lembrei de um painel que participei sobre ESG – propósito e maturidade. A minha parte no painel foi exatamente sobre a governança. Comecei quebrando algumas expectativas. Quando falamos de profissional sênior e ESG, normalmente pensamos imediatamente no social. Mas talvez, exista uma provocação importante aqui: será que também não estamos falando da sustentabilidade e da governança? Entendo que sustentabilidade não é só ambiental. Sustentabilidade também é humana e organizacional.
E quando falamos de sustentabilidade e de responsabilidade neste tema estamos conectando com o futuro. E eu gosto de provocar que existe também uma sustentabilidade do capital humano. Vivemos mais, trabalhamos mais, acumulamos repertório, conhecimento, experiência. Então eu me pergunto, faz sentido um sistema organizacional que desperdiça experiência?
No social é mais evidente a questão da inclusão, diversidade e equidade geracional. Mas ainda muitas empresas falam sobre diversidade e continuam invisibilizando a diversidade etária. Mas quando foi mesmo que a experiência passou a ser interpretada como obsolescência? Como gestora e conselheira, não sei responder. Acho que perdi essa aula.
E é aqui que eu entro com a governança, porque não basta falar de inclusão. Inclusão sem estrutura vira discurso. Então o que precisa mudar na governança para receber o profissional mais jovem e o sênior?
Aqui eu proponho 4 movimentos como ideias.
- Governança precisa rever seus vieses invisíveis – A primeira adequação é reconhecer que muitas vezes o problema não está no profissional jovem demais ou sênior; está nos sistemas. Às vezes o etarismo não aparece explicitamente. Ele está escondido numa descrição de vaga, numa ideia de ‘fit cultural’, numa associação automática entre novo demais e velho demais. O jovem é descartado pela suposta imaturidade e o sênior é eliminado pela suposta obsolescência.
- Preparar lideranças para a convivência multigeracional – Equipes multigeracionais não são um problema para administrar; são uma oportunidade de aprendizado. O profissional mais jovem pode trazer velocidade, domínio digital, novas leituras. O sênior frequentemente traz repertório, discernimento, visão sistêmica, capacidade relacional e tomada de decisão sob pressão. Entendo que o desafio não é escolher gerações. É aprender a integrá-las. Como trabalho com desenvolvimento de pessoas, gosto muito de falar que não é choque de gerações. É encontro de competências.
- Redesenhar formas de trabalho – Talvez uma das maiores mudanças de governança seja compreender que contribuição não tem um único formato. Existem projetos específicos que vai exigir a presença de profissionais de várias gerações. Estamos vendo empresas com programas de mentoria técnica, inclusive a reversa. Formação de conselhos consultivos com presença de vários especialistas e faixa etária. Empregados executando suas atividades em posições híbridas e jornadas flexíveis. O que estou querendo mostrar é que, muitas vezes o profissional não quer contribuir menos; ele quer uma outra forma de contribuição.
- Tratar experiência como ativo estratégico – Esse talvez seja o ponto mais dominante. A governança fala de sustentabilidade do negócio e uma empresa sustentável valoriza talentos e conhecimentos. Mas, quantos talentos não são contratados pelo paradigma ultrapassado da empresa? Ou por não considerar aquele conhecimento que sai pela porta, quando um profissional experiente se aposenta ou é desligado? Aqui sugiro considerar algumas formas estratégicas para fazer essa gestão. Cuidar e preparar para a sucessão, desenvolvendo profissionais jovens e preparando os mais antigos. Construir a memória organizacional, incentivando a aprendizagem entre as gerações, porque a empresa madura não descarta experiência, ela a transforma em legado.
A recomendação que eu deixo para os executivos é que o desafio não é ser generoso e abrir espaço para o profissional júnior ou sênior. É construir organizações inteligentes o suficiente para reconhecer o valor do talento e da experiência.
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A maioria das vagas de conselheiros é preenchida através de networking.
Na ACBrasil você pode criar e fortalecer contatos e parcerias.
Fale com a gente: contato@acbrasil.org.br
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Tecnologia & Inovação
Lia Parente, head da Comissão de Inovação, Transformação Digital, IA e Dados
Inovação & IA para conselheiros: tecnologia começa pela dor do negócio
Pílula de letramento
Transformação digital não começa pela escolha de uma ferramenta. Ela começa pela identificação de dores concretas do negócio: processos manuais, retrabalho, baixa qualidade das informações, lentidão no atendimento ou dificuldade de escalar decisões.
Para o conselho, a questão central não é qual tecnologia será adotada, mas qual problema será resolvido, qual valor será gerado e quais riscos precisam ser administrados.
Provocação para o board
Estamos comprando tecnologia ou atacando um problema relevante do negócio?
Por que essa pergunta é importante?
Projetos iniciados pela ferramenta, e não pela dor, tendem a gerar custo, complexidade e baixa adoção. A pergunta obriga a gestão a demonstrar a relação entre o investimento, a prioridade estratégica, o benefício esperado e os indicadores que comprovarão a geração de valor.
Palavra do especialista
Antes de discutir IA, automação ou plataformas, a organização precisa compreender o problema que deseja resolver. Tecnologia cria valor quando existe coerência entre dor, solução, capacidade de execução, indicadores e governança. Sem essa conexão, a transformação digital corre o risco de se tornar apenas uma coleção de projetos.
Glossário / repertório
Transformação digital
Uso estratégico da tecnologia para melhorar eficiência, integrar informações, apoiar decisões e fortalecer a competitividade do negócio.
Pergunta para a diretoria
A empresa já mapeou suas principais dores antes de escolher soluções tecnológicas, ou está adotando tecnologia sem um diagnóstico claro?
Fonte-base: Guia de Bolso – Transformação Digital, produzido pela Comissão de Inovação, Transformação Digital, Inteligência Artificial e Dados da ACBrasil.
Na próxima edição:
Eficiência, dados e cliente — os três gatilhos mais comuns da transformação digital.
Iniciativas
Congresso Internacional da ACBrasil
Está quase tudo pronto para o congresso internacional da ACBrasil, que acontece dia 19 de agosto, no Ibmec-SP (Alameda Santos). Os participantes poderão acompanhar painéis que vão tratar de temas relevantes e atualizados sobre o papel dos conselhos – como inovação e IA nas organizações. E, além disso, acompanhar a apresentação de degustação dos produtos, serviços e marcas dos patrocinadores. O primeiro lote de ingressos a preços promocionais estão se esgotando: garanta o seu!
https://loja.infinitepay.io/acb-517/txm4386-1o-lote—associado—3o-forum-de-gc
Dica de leitura
A singularidade está mais próxima
O que significará viver livre dos limites do nosso corpo? Quem nos tornaremos se a nossa mente puder ser arquivada e replicada? Como lidaremos com os riscos inerentes a uma tecnologia tão incrivelmente poderosa? Para o futurista, inventor e guru do tecno-otimismo Ray Kurzweil, as inovações das próximas décadas mudarão a vida humana para sempre: mais potente que a orgânica, a inteligência artificial se fundirá com o cérebro biológico, expandindo enormemente a nossa consciência e as nossas capacidades cognitivas. Kurzweil prevê, ainda, uma era de abundância em que os avanços na tecnologia da informação tornarão bens e serviços essenciais cada vez mais acessíveis ― da produção de alimentos e vestuário à eficiência de utensílios e moradias; da geração de energia limpa e sustentável ao tratamento de doenças e prolongamento da vida.
A singularidade está mais próxima: a fusão do ser humano com a Inteligência Artificial, de Ray Kurtzweil. Editora Goya, 2024.
Datas
27 de junho,Dia Internacional das Micro, Pequenas e Médias Empresas
Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data celebra um segmento que representa cerca de 90% das empresas mundiais e gera mais de 60% dos empregos globais. No Brasil, o cenário se repete com vigor: os pequenos e médios negócios são responsáveis pela maior parte das vagas de trabalho formais e por movimentar a economia de ponta a ponta. OS números falam por si, confira:97% das empresas abertas no país em 2025 são pequenos negócios (MEI + micro + pequenas)
- Das empresas ativas (24,2 milhões), 93,8% são microempresas ou empresas de pequeno porte
- Distribuição dos pequenos negócios:
- 77% MEI (microempreendedores individuais)
- 19% microempresas (ME)
- 4% empresas de pequeno porte (EPP)
Em relação ao PIB
- Pequenos negócios (MEI + ME + EPP): 26,5% do PIB nacional
- Micro e Pequenas Empresas (MPEs – sem MEI): 30% do PIB nacional
A estruturação de processos transparentes, a conformidade e o planejamento de longo prazo deixaram de ser exclusividades das grandes corporações de capital aberto. Para as MPMEs, o acesso a conselheiros independentes e a mentores estratégicos funciona como um acelerador de maturidade, permitindo a captação de recursos de forma mais eficiente, a mitigação de riscos operacionais e a profissionalização da liderança.
Celebrar a relevância das micro, pequenas e médias empresas significa, portanto, reconhecer a necessidade de fortalecer as bases estruturais que sustentam esses negócios. O amadurecimento técnico do ecossistema empreendedor é o caminho mais seguro para garantir que o motor da economia continue gerando inovação e estabilidade financeira para o país.
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ACBrasil
Pela integridade na governança
A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.


