[menu-associado]

Newsletter – ACBrasil Nº 123– 5 de jun de 2026

Newsletter – ACBrasil

Nº 123– 5 de junho de 2026

 

Olá! Esta é a sua newsletter da ACBrasil

Um clipping sobre as iniciativas da ACBrasil e temas relevantes para a governança corporativa

 

17,8% dos conselheiros de administração ganham mais de meio milhão por ano

Levantamento da consultoria de recursos humanos e governança Exec apontam que 17,6% dos conselheiros de administração no Brasil ganham mais de R$ 541 mil anuais – e que 38% deles participam de mais de quatro colegiados, o que eleva os ganhos à casa dos milhões. Já para os conselheiros consultivos, os ganhos acima de meio milhão chegam para apenas 3,1%. A diretora executiva de soluções da Exec, Thaís Nather, associada da ACBrasil, explica que a alta remuneração deriva de uma soma de fatores – como questões técnicas, experiência e habilidades comportamentais. Uma reportagem sobre o levantamento da Exec pode ser acessada aqui:

https://www.pressreader.com/brazil/o-estado-de-s-paulo/20260601/281986089224419

 

 

Opinião

 Sobre as competências dos conselheiros

Thaís Nather, associada da ACBrasil

https://www.linkedin.com/in/alípio-labão-1aa3a411?utm_source=share_via&utm_content=profile&utm_medium=member_ios

Como headhunter há quase 20 anos e hoje responsável por conduzir projetos exclusivamente voltados a seleção de Conselheiros, Assessment e Estruturação de Conselhos, liderei a condução da pesquisa “Panorama dos Conselhos”da EXEC Consultoria, destacada em matéria pelo Estadão, que trouxe importantes reflexões, para além do recorte de remuneração, sobre lacunas que impactam diretamente a composição e a atuação dos colegiados.

Almejo aqui, destacar a importância central das competências dos conselheiros para a efetividade dos colegiados, em especial, quando tratamos de conselhos consultivos em empresas familiares, onde dinâmicas relacionais são ainda mais sensíveis.

A escuta ativa se apresenta como uma das principais competências para um colegiado. Conselheiros eficazes não apenas opinam, mas sabem ouvir (e assimilar) profundamente os diferentes stakeholders, interpretar nuances e garantir que todas as perspectivas relevantes sejam consideradas. Essa habilidade é essencial para construir confiança, qualificar o debate e ampliar a qualidade das decisões.

Além disso, é fundamental a maturidade relacional para “concordar em discordar”, conduzindo discussões de forma construtiva, com o objetivo de convergência estratégica. Conselhos de alta performance não evitam tensões, ao contrário, valorizam a pluralidade de pensamento e promovem atritos cognitivos saudáveis, fundamentais para mitigar riscos e evitar decisões enviesadas.

Um dos principais pontos de atenção no mercado de Conselhos atualmente, é a ainda limitada profissionalização no processo de seleção de conselheiros, o que frequentemente compromete um atributo essencial: a independência efetiva. Ambientes excessivamente consensuais, embora confortáveis, tendem a reduzir o nível de challenge estratégico, enfraquecendo a capacidade do conselho de antecipar e mitigar riscos.

Outro ponto crítico é a ausência de complementariedade de competências. Conselhos com perfis homogêneos (tanto sob a ótica técnica quanto comportamental), deixam de capturar o alto potencial da amplitude de visões distintas, essencial para lidar com um ambiente de negócios cada vez mais complexo, volátil e cheio de imprevisibilidades.

Nesse contexto, chamo a atenção também para a existência de lacunas relevantes em competências técnicas, especialmente em temas estratégicos como Digital e Inteligência Artificial, que são agendas que já figuram no topo das prioridades das organizações. Em muitos casos, evidencia-se a ausência de uma matriz estruturada de competências do Conselho, que oriente a seleção de conselheiros de forma alinhada ao plano estratégico da companhia e que seja isenta, através de profissionais de seleção (seja via headhunters ou RH interno).

Outro vetor relevante é o papel dos Governance Officers profissionais, ainda subexplorado. Esses profissionais atuam como verdadeiros articuladores da governança, conectando gestão, comitês, conselho e stakeholders, assegurando alinhamento, disciplina de execução e coerência jurídica, muito além das atribuições operacionais tradicionais.

No campo temático, a pesquisa evidencia uma presença ainda limitada de comitês dedicados a ESG e Sustentabilidade, apesar da crescente relevância do tema. Por outro lado, a forte incidência de comitês de Pessoas e Cultura reforça a centralidade do capital humano na agenda estratégica; afinal, negócios são conduzidos por pessoas!

Outro aspecto positivo é o avanço do lifelong learning entre conselheiros, com a maioria já possuindo formação ou certificação em governança, um indicativo relevante de evolução do mercado.

Por fim, a avaliação de efetividade de Conselhos e Conselheiros, prática essencial para a melhoria contínua, ainda aparece como subutilizada. Trata-se de uma alavanca importante para o amadurecimento dos colegiados e para o aumento de sua contribuição estratégica.

Em síntese, governança não se resume a “ter um Conselho”, mas a contar com um Conselho que efetivamente gera valor, reduz riscos e sustenta a estratégia, apoiado por conselheiros que combinem independência, diversidade de competências (técnicas e comportamentais) e visão de futuro.

A pergunta deixa de ser: “a sua empresa tem Conselho?”

E passa a ser: “O seu Conselho está, de fato, no nível de maturidade e competência que o contexto do negócio exige, sendo capaz de impulsionar a estratégia com consistência e profundidade?”

Você pode baixar a pesquisa na íntegra gratuitamente, através do link: https://lnkd.in/d4uDcCUH

.

___________________________________

 A maioria das vagas de conselheiros é preenchida através de networking.

Na ACBrasil você pode criar e fortalecer contatos e parcerias.

Fale com a gente: contato@acbrasil.org.br

___________________________________

 

 Economia & Negócios

Independência da autoridade monetária

é importante, até para os Estados Unidos

Marcelo Fonseca, associado da ACBrasil

https://www.linkedin.com/in/marcelomfonseca/

Tomou posse no dia 22 de maio o novo presidente do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos. Kevin Warsh foi indicado pelo presidente Donald Trump para substituir Jerome Powell. A troca da presidência da autoridade monetária faz parte do arcabouço regulatório norte-americano e deveria ser encarada com tranquilidade devido, sobretudo, a independência do FED. Entretanto, desde que assumiu a presidência, Trump já vinha pressionando Jerome Powell a baixar as taxas de juros, o criticando abertamente no seu jeito pouco polido de se dirigir aos seus desafetos. Powell seguiu firme na sua missão de atingir o máximo de crescimento com a inflação na casa dos 2% ao ano.

O indicado atenderá aos apelos de Trump? Baixará a taxa e juros?

As coisas não são assim tão simples. O FOMC é comitê que decide os juros no FED.  Vale lembrar que o FOMC (Federal Open Market Committee) é o colegiado responsável por definir a política monetária nos Estados Unidos, incluindo a taxa básica de juros. Ou seja, embora o presidente do FED tenha influência relevante — tanto na condução do debate quanto na comunicação com o mercado — as decisões são, em última instância, colegiadas. Isso já impõe um limite institucional importante a eventuais mudanças bruscas na orientação da política monetária.

Alguns cenários para análise

Kevin Warsh seguirá uma linha mais alinhada aos interesses políticos do presidente Trump ou manterá uma postura técnica semelhante à de Jerome Powell? A resposta pode variar conforme o cenário econômico e a composição do próprio FOMC.

No primeiro cenário, mais benigno do ponto de vista institucional, Warsh preservaria a tradição de independência do FED. Nesse caso, mesmo diante das pressões políticas, o banco central continuaria calibrando os juros com base nos dados de inflação, emprego e atividade econômica. Esse seria o cenário mais favorável à credibilidade da política monetária americana, preservando a confiança dos investidores globais no dólar e nos ativos americanos.

Um segundo cenário envolve uma inflexão mais pragmática, com Warsh adotando um viés ligeiramente mais dovish — ou seja, mais favorável à redução de juros — sem, contudo, abandonar completamente os fundamentos técnicos. Nesse caso, poderíamos ver cortes graduais, possivelmente antecipando movimentos que ocorreriam mais à frente no ciclo econômico. Esse tipo de ajuste poderia ser justificado caso surjam sinais de desaceleração mais forte da economia americana, mas também poderia levantar questionamentos sobre o grau de independência da instituição.

Já um terceiro cenário, mais extremo, e entendo ser pouco provável, envolveria uma atuação claramente alinhada com as pressões do Executivo, com cortes de juros mesmo em um ambiente de inflação ainda resistente. Nesse caso, o risco maior seria a perda de credibilidade do FED.

Como ficamos?

Se o FED adotar uma postura mais expansionista, reduzindo juros, isso tende a enfraquecer o dólar globalmente e estimular o fluxo de capitais para países com maior retorno, como os emergentes. Nesse contexto, o Brasil poderia se beneficiar com valorização cambial, com impacto positivo sobre o controle da inflação doméstica.

Por outro lado, caso a condução da política monetária americana passe a gerar desconfiança — especialmente no cenário de perda de credibilidade — o efeito pode ser o oposto. A volatilidade aumentaria, investidores buscariam ativos mais seguros e o dólar poderia se fortalecer por sua condição de moeda de reserva, pressionando moedas emergentes, apesar de que já se observa uma diversificação gradual e estratégica para reduzir a dependência do dólar.

Em suma, a troca no comando do FED vai muito além de uma simples mudança de nomes. Para o Brasil, acompanhar essa dinâmica é essencial, pois decisões tomadas em Washington têm impacto direto sobre nossa taxa de câmbio, inflação e atividade econômica.

 

Iniciativas

 Congresso Internacional da ACBrasil

Está quase tudo pronto para o congresso internacional da ACBrasil, que acontece dia 19 de agosto, no Ibmec-SP (Alameda Santos). Os participantes poderão acompanhar painéis que vão tratar de temas relevantes e atualizados sobre o papel dos conselhos – como inovação e IA nas organizações. E, além disso, acompanhar a apresentação de degustação dos produtos, serviços e marcas dos patrocinadores.

Karina Pincelli Izzo, diretora de Sucesso do Associado, avalia o evento: “Desde que me associei à ACBrasil, tenho vivido uma jornada de aprendizado contínuo, conexões qualificadas e oportunidades que ampliam minha atuação profissional. Por isso, faço um convite especial: no dia 19 de agosto acontecerá o Fórum Internacional da ACBrasil, um encontro anual, que reunirá especialistas, conselheiros e líderes com atuação global para debater os temas mais relevantes da governança e os desafios que impactam as organizações. Mais do que um evento, é uma oportunidade de desenvolvimento, networking e visão de futuro para empresários, C-Levels, conselheiros e líderes estratégicos. Um espaço com conteúdo de altíssimo nível para quem deseja elevar seu protagonismo e ampliar sua contribuição para os negócios e para a sociedade”.

 

Finanças para Não Financeiros

Prosseguiu na última semana a nova jornada para conselheiros, C-levels e executivos que precisam tomar decisões melhores a partir dos números, mesmo sem formação financeira: a Capacitação Executiva Finanças para Não Financeiros, promovida pela ACBrasil.”Mais do que um curso técnico, a proposta é desenvolver uma competência essencial para a boa governança: ler demonstrações, interpretar riscos, questionar premissas e compreender se uma decisão cria ou destrói valor”, informam os organizadores Hugo Daniel, Daniel Cerqueira e Samuel Barros, todos associados da ACBrasil

“Fiquei muito contente em ver a comunidade da associação, bem como não associados, envolvidos em um tema tão fundamental”, avaliou Lia Pullen Parente, presidente do Conselho de Administração da ACBrasil, que participa da capacitação: “Cerca de 70% dos inscritos era de não associados, o que mostra a força de nossa marca e relevância desta pauta de finanças na tomada de decisões. Finanças não são apenas uma competência técnica: é uma linguagem essencial da governança”, avaliou. Lia afirma que tem recebido excelentes feedbacks da iniciativa: “A capacitação reorça bastante um dos papeis da associação, que é promover educação conectada à prática”.

 

Programa executivo internacional: associados têm condições especiais

Associados da ACBrasil terão condições especiais para participar do International Certificate in Project Management andOrganizational Performance, programa executivo internacional, desenvolvido em parceria entre a IDGP Academy e a Sorbonne/IAE Paris, fornecendo certificação internacional (120 horas).

A formação tem foco em conectar estratégia, governança e execução; aumentar a previsibilidade da entrega de projetos e portfólios; apoiar decisões mais estruturadas em ambientes complexos; e fortalecer o papel do Conselho na geração de valor e supervisão da execução. A estrutura do programa é constituída de:

 

– Imersão executiva no Rio de Janeiro

18 a 21 de junho

– Aulas online ao vivo (quinzenais aos sábados)

Julho a outubro

– Imersão na Sorbonne – Paris

2 a 6 de novembro

 

Interessados podem escrever ao coordenador do programa no Brasil, Rafael Albergarias:

albergarias@idgp.global

 

Ou visitar o site do programa:

https://academy.idgp.global/international-certificate-in-project-management-and-organizational-performance

 

 

Dica de leitura

Herança sem dono

 Lançado na semana passada, este livro fala de legado, governança, tradição e valores. Mas ele também fala de empregos, dignidade e de economia real. E é por isso que este assunto precisa deixar de ser um tabu ou um tema reservado às grandes empresas. Herança sem Dono, de Marcelo Wiethaeuper, associado da ACBrasil, é um convite para enxergar a sucessão não como uma ameaça. Além disso, o assunto não é apenas para empresas grandes. Um bom projeto de sucessão é aúnica forma de garantir continuidade, preservar relações, proteger o negócio e transformar a passagem do tempo em força, e não em ruptura.

Herança sem dono, de Marcelo Wiethaeuper. Editora Atual, 2026.

Pré-encomenda: https://a.co/d/0hBjYiAr

 

Datas

 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente

A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972 durante a histórica Conferência de Estocolmo. Seu objetivo principal é conscientizar a população e os governantes sobre a necessidade urgente de preservar os recursos naturais e combater problemas como a poluição e o desmatamento. A atenção às questões ambientais é tema central nos debates e práticas de conselhos e na governança que tem a sustentabilidade como um de seus princípios.

 

___________________________________

Ainda não se associou à ACBrasil?

Junte-se a nós através do QR Code

 ___________________________________

 

ACBrasil

Pela integridade na governança

 

A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.

 

 

Nesta edição:

 

Opinião: Sobre a competência dos conselheiros, por Thaís Nather.

Economia & Negócios: Independência da autoridade monetária é importante, até para os Estados Unidos, por Marcelo Fonseca.

Jessica Tavares

Artigos relacionados

Newsletter – ACBrasil Nº 125 – 3 de jul de 2026

Nesta edição: Opinião: Empresa, família e as soluções no diálogo...

Newsletter – ACBrasil Nº 124 – 19 de jun de 2026

Nesta edição:   Opinião: Sustentabilidade também é humana e organizacional, por...

Newsletter – ACBrasil Nº 122 – 22 de mai de 2026

Nesta edição:   Opinião: Um brinde à sustentabilidade, por Alípio Carlos...

Newsletter – ACBrasil Nº 120 – 24 de abr de 2026

Nesta edição: Opinião: Riscos de silêncios e a importância da...