Nesta edição:
Opinião: O quemudou: as empresasouosconselheiros?, por Carlos Alberto Ercolin
Economia & Negócios: Resposta do governo ao conflito no Oriente médio não é animadora, por Marcelo Fonseca
Pílulas tributárias, por Mariana Di Nardo
Conselhos concentram maioria das renúncias em empresas listadas em 2026
A maior parte das renúncias em empresas listadas no Brasil neste ano ocorreu nos conselhos de administração, segundo dados divulgados pela Comissão de Valores Imobiliários (CVM) e compilados pela revista Exame. Entre 1º de janeiro e 24 de março, a revista identificou 18 comunicados desse tipo, dos quais dez envolvem conselheiros ou presidentes de conselho, o equivalente a 55,6% do total, enquanto oito casos (44,4%) referem-se a posições da diretoria executiva.
Uma reportagem sobre este levantamento pode ser acessada aqui:
Opinião
O que mudou: as empresas ou os conselheiros?
Carlos Alberto Ercolin, presidente da ACBrasil
https://www.linkedin.com/in/carlosercolin/?locale=pt_BR
O artigo nos remete a uma reflexão profunda, pois quando se assume uma cadeira em conselho, presume-se que se vá cumprir o mandato até o final. Quando isso não ocorre dificilmente o é por uma boa justificativa (o famoso “motivo de foro interno, que levaria o conselheiro a se desligar da posição”); normalmente ela -a interrupção forçada – ocorre por algum problema, como conflito, escândalo, desvio de conduta.
Vimos nesta matéria que quase 60% das mudanças ocorreram nos conselhos de administração. Estamos falando de empresas de capital aberto, onde todos sabemos que qualquer movimentação não programada (no meio do mandato) gera volatilidade nos papeis destas organizações. Podermos inferir, portanto, que os motivos que geraram estas mudanças nos conselhos não foram os mais positivos.
Daí surgem algumas perguntas: o que mudou nas empresas ou nos conselheiros que forçaram estas mudanças nas cadeiras? O artigo não faz menção aos motivos, mas novamente podemos inferir pelo menos duas linhas de pensamento: a) a empresa se tornou um risco grande e o conselheiro tomou a iniciativa de sair; b) o conselheiro se tornou um risco grande e a empresa o desligou. Qualquer que seja o motivo ele passa por falhas na trilha da governança: formatação do conselho, entrevista e escolha dos candidatos, avaliação e feedback durante o mandato, práticas de governança, compliance, políticas de conflitos de interesse, revisão dos documentos societários (estatuto, acordo de sócios, código de ética…).
Nós, na ACB -entidade sem fins lucrativos- primamos por debater as boas práticas de governança, nas várias comissões, fóruns e webinars. Quando procurados, indicamos associados que as praticam e as disseminam sempre no formato pro-bono. Temos instalado conselhos consultivos e implantado as melhores práticas, notadamente nas PME.
Economia & Negócios
Resposta do governo ao conflito
no Oriente médio não é animadora
Marcelo Fonseca, associado da ACBrasil
https://www.linkedin.com/in/marcelomfonseca/
Falamos em nossa última coluna (“Guerra de Trump pode impactar a inflação doméstica”) que a resposta do governo brasileiro ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã poderia ser determinante para controlar os efeitos da guerra sobre a economia brasileira. A queda da oferta de petróleo, que fez o preço do barril disparar, teria que ser enfrentada tendo em mente que a queda do crescimento econômico será praticamente certa, inclusive em nível global, isso porque apesar do fato de Trump ter recuado da intenção de exterminar o Irã, recuo explicado pela proposta de um cessar-fogo de duas semanas para negociações de paz, o estrago está feito. Não só pelo fato de o cessar-fogo ser extremamente frágil, tal como se apresentou a ameaça de Trump, mas também pelo fato de que muitas infraestruturas de energia foram afetadas por ataques, o que poderá elevar os custos de diversos bens. Eventual aumento da inflação fará com que bancos centrais ao redor do mundo apertem a política monetária, reduzindo o crescimento econômico.
Entretanto, estamos em ano eleitoral e o governo incumbente não aceitará o ajuste natural de um choque de oferta, tal como já foi explicado. Não há qualquer sinal de que a política de expansão fiscal irá arrefecer, o que faz com que recaia sobre o banco central a tarefa de mitigar os efeitos da guerra. Não surpreende que o mercado já esteja precificando uma queda menor da Selic na próxima se reunião do COPOM (se houver redução).
Governo tenta controlar preços
No dia 7 de abril foi publicada medida provisória e dois decretos que visam controlar o preço do óleo diesel. Desonerações de impostos, concessão de subvenções e aumento da carga tributária (sobre o cigarro), compõem o bojo das medidas pelas quais o governo tem a intenção de controlar o preço do diesel, o que contribuiria para evitar o repasse do aumento dos combustíveis para outros produtos e serviços, inclusive a aviação civil foi também beneficiada pelas medidas anunciadas. Como a crise energética é dinâmica os agentes econômicos tendem a ter incerteza quanto a eficiência das medidas adotadas e os riscos que possam vir a correr. Muitas dúvidas pairam no ar: os benefícios serão repassados aos consumidores ou serão parcialmente capturados por intermediários? Importadores independentes correrão o risco de bancar eventual descasamento entre os preços internacionais e os aqui praticados?
Além destes pontos questões de mérito também surgem. É correto incluir a aviação civil neste pacote? Ao final do dia o saldo nas contas do governo será negativo ou positivo? Como se trata de crise que pode se estender por um período longo qual será a política a ser adotada? Essas e outras questões são fundamentais e têm um peso ainda maior em ano eleitoral.
Fato é que somos produtores e exportadores de petróleo, mas importamos o derivado. Nos acostumamos a acomodar os problemas que surgem conjunturalmente (ex. pacote econômicos), mas falta visão estrutural, falta planejamento estratégico ao país.
Intervenção não reduzirá o estrago
Não surpreende a onda intervencionista do governo neste momento. A ideologia de que o Estado tudo pode está incrustada nos que estão tomando as decisões. O mercado, por outro lado, se defende como pode e toma decisões que muitas vezes são contrárias ao que se pretendia obter através das intervenções. Cabe torcer para que os efeitos deste choque sejam dissipados o mais rápido possível. O prolongamento das medidas adotadas podem ser prejudicais aos contribuintes, exatamente o oposto do que as boas intenções almejavam.
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A maioria das vagas de conselheiros é preenchida através de networking.
Na ACBrasil você pode criar e fortalecer contatos e parcerias.
Fale com a gente: contato@acbrasil.org.br
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Pílulas tributárias
Mariana DiNardo, do Comitê Jurídico da ACBrasil
https://www.linkedin.com/in/marina-di-nardo-987020b9/
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas. É uma reestruturação completa da lógica de tributação sobre consumo no Brasil e ela vai atravessar contratos que já estão em vigor, alguns com vigência de 5, 10, 20 anos. Para as empresas, isso significa uma janela de atenção imediata e concreta: revisar acordos comerciais antes que o impacto apareça no resultado.
O problema é que a maioria dos contratos não foi feita para esse novo mundo
A maioria dos contratos de longo prazo foi negociada com base em um sistema tributário que, a partir de 2027, começa a deixar de existir. O preço foi calculado com base na tributação daquele momento. Ninguém, naquela época, levou em conta um imposto que ainda não existia.
O choque de alíquotas é maior do que parece
Para entender a dimensão do problema, vale olhar para os números. Uma empresa prestadora de serviços que hoje paga 5% de ISS pode passar a recolher algo em torno de 18,5% com o IBS. Uma empresa no lucro presumido que hoje paga 3,65% de PIS/Cofins pode migrar para cerca de 8,5% com a nova CBS. Empresas industriais que tinham benefícios fiscais estaduais no ICMS também podem perder vantagens que não terão equivalente no novo sistema.
As alíquotas finais ainda estão sendo definidas
As estimativas atuais podem variar por setor, mas já são suficientes para acender o alerta. Não se trata de um ajuste pequeno, é uma mudança que pode comprimir seriamente a margem de quem não se preparar.
O contrato continua vigente, mas a realidade tributária vai mudar
Se não houver nenhuma cláusula prevendo essa situação, alguém vai absorver o custo dessa diferença e geralmente é quem estava desatento.
Quem paga a conta?
Em muitos contratos, há frases como “os tributos são por conta do contratado” ou “o preço já inclui todos os impostos“. Essas cláusulas foram escritas pensando nos tributos de hoje, não nos de amanhã.
Com a Reforma Tributária, surgem situações novas
Três pontos merecem atenção especial:
- A margem do IBS e da CBS pode ser maior do que a anterior, sem que o contrato preveja repasse;
- Um dos lados pode se beneficiar da Reforma Tributária, enquanto o outro é prejudicado, criando desequilíbrio na relação;
- O IBS e a CBS podem incidir sobre etapas da operação que antes não eram tributadas, como locação.
O que fazer agora?
Vale revisar os contratos mais importantes da sua empresa com essas perguntas em mente:
- O preço foi formado com base em qual carga tributária? Isso está documentado?
- Existe alguma cláusula que permita revisão de preço em caso de mudança tributária significativa?
- Se os impostos mudarem, quem absorve a diferença: você ou o outro lado?
- Há contratos com vigência longa o suficiente para atravessar o período de transição da reforma (2026–2033)?
Se as respostas gerarem dúvida, o contrato merece atenção
É sinal de que a revisão precisa acontecer antes que o problema apareça e não depois.
A Reforma Tributária vai chegar para todo mundo
Mas impactará de forma diferente quem está preparado e quem não está. Empresas que revisarem seus contratos agora têm a chance de negociar ajustes de forma tranquila, sem pressão e sem conflito.
Iniciativas
Novos comitês e reconfiguração da diretoria
OConselho de Administração da ACBrasil, eleito para o biênio 2026-27, dentro do espírito das boas práticas de governança, instituiu recentemente três comitês de trabalho. São eles:
Comunicação: headJosé Lima Neto
Ética: headRogério Medeiros
Nomeação: headRicardo Maltz
Além disso, também foi revista a estrutura da diretoria, que agora conta com a seguinte composição:
Presidência: Carlos Alberto Ercolin
Administração e finanças: Américo Oliveira
Marketing & Comunicação: Elimar Melo
Operações / Tecnologia: Marcos Nassutti
Parcerias e Eventos: Isa Degaspari
Sucesso do Associado: Karina Izzo
Almoço em São Paulo
No último dia 31 aconteceu, em São Paulo, o almoço de celebração do mês da Mulher, uma iniciativa da presidente do CA da Associação, Lia Pullen Parente, e da diretora de Eventos e Parcerias, Isa Degaspari. O encontro resultou numa boa troca de ideias, novas parcerias e novos associados. Dado o sucesso do evento, outros encontros deverão acontecer, sempre abertos a todos os associados mas também à sociedade.
Startups
Na próxima segunda feira, dia 13,às 19 horas,será feita uma apresentação das propostas de trabalho da comissão de Startups, conduzida pela headLigia Yokomizo. O encontro é online e quem tiver interesse em conhecer mais sobre o grupo podese inscrever através do link:
https://docs.google.com/forms/d/1BHPXGfpwGzqw2C-yKqdMPEKmEPlFXoGzW2m6SI1Tjdo/edit?ts=67cad78a
Dica de leitura
O ativo invisível: como transformar conhecimento em lucro com Inteligência Artificial
O livro do professor Álvaro Riz de Barros é especialmente importante para conselheiros pois reposiciona a Inteligência Artificial no campo da governança e da estratégia, e não apenas da tecnologia. Ele oferece critérios claros para que o conselho avalie se iniciativas de IA estão efetivamente gerando valor econômico ou apenas ampliando custos e riscos operacionais. A obra ajuda a diferenciar projetos táticos de capacidades estratégicas sustentáveis, conectando a IA a temas centrais da agenda do board, como alocação de capital, risco, accountability executiva e vantagem competitiva. Ao tratar o conhecimento corporativo como ativo intangível governável, reduz a assimetria de informação entre conselhos e áreas técnicas e permite questionamentos mais qualificados à gestão. Trata-se, portanto, de uma ferramenta prática para conselhos que desejam liderar a agenda de IA com disciplina, consistência e foco em resultados de longo prazo.
O ativo invisível: Editora Uiclap, 2026
Datas
4 de abril: aniversário da ACBrasil
Há quatro anos, 14 idealistas formalizaram a criação da Associação de Conselheiros do Brasil. Hoje, a caminho da meta de 100 associados, a ACBrasil celebra o encontro de novos idealistas – que acreditam nas propostas de trabalho, de diálogo e de difusão de boas práticas de governança. Mesmo contabilizando bons resultados já alcançados, a associação segue trabalhando para se consolidar como uma referência no campo de conhecimento sobre a governança e sobre os papeis dos conselheiros.
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ACBrasil
Pela integridade na governança
A Associação de Conselheiros do Brasil (ACBrasil) tem por finalidade promover, fortalecer, congregar e representar profissionais que atuam como conselheiros em organizações públicas e privadas, com e sem fins lucrativos, tendo como meta implantar princípios e práticas de Governança Corporativa, em prol do desenvolvimento sustentável, considerando os negócios como catalisadores das mudanças necessárias e gerando impacto positivo sobre a sociedade.


